Silêncio interior

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Desde que me entendo por gente, sempre fui ansiosa e agitada. Sempre gostei de estar rodeada de pessoas, barulhos e movimento. Pouquíssimas vezes me dispus a estar em um ambiente silencioso e tranquilo, sempre alegando que me sentia entediada. Aliás, “tédio” é uma palavra que sempre usei muito e hoje quase não faz parte do meu vocabulário.

Desde que comecei a me dedicar a práticas espirituais como a meditação e a Yoga, além de aprofundar minhas leituras e estudos espíritas, me tornei uma pessoa mais introspectiva e descobri o valor do silêncio, dos benefícios de estar em um ambiente mais calmo e tranquilo, desfrutando da minha própria presença.

Mas esse processo não ocorreu do dia para a noite. Quando comecei a meditar regularmente e a me entregar a Yoga enquanto prática espiritual, passei a me sentir cada vez mais confortável com o silêncio, tanto exterior quanto interior. Se tinha algo que me incomodava há algum tempo era estar em ambientes escuros e silenciosos. Hoje, aprendi que se busco a paz e tranquilidade interior, nesses momentos conseguirei despertá-las dentro de mim. Não deixei, com isso, de ser uma pessoa ansiosa e agitada algumas vezes, mas posso afirmar que me sinto tranquila na maior parte do tempo.

Acredito que, em grande parte, essa mudança ocorreu porque o objetivo dessas práticas é o de nos trazer para o momento presente. Sendo ansiosa, sempre vivi muito mais no futuro do que no presente, e, por isso, nunca me sentia plena e feliz em contato comigo mesma, em silêncio interior, já que estava sempre pensando e vivendo situações que nem haviam acontecido. Era comum afirmar que precisava estar o tempo todo em movimento nos momentos de descanso para me manter bem. Isso porque me prendia apenas a totalidade do tempo que estaria “à toa”. Agora, em vez de contabilizar as horas que ainda me restam, procuro desfrutar de cada segundo e me sinto em paz.

As práticas meditativas, desde o inicio, me trouxeram uma grande tranquilidade. Por muito tempo acreditei que a ansiedade era algo decisivo é imutável na minha vida, porque associava o meu estado ansioso à minha personalidade. Hoje já não vejo mais assim. Sei, sim, que a ansiedade está e estará presente em muitos momentos, mas em vez de me conformar com os seus efeitos negativos e travar tantas lutas com ela, decidi que poderíamos ser companheiras e nos entender de outra forma. A partir do momento em que a aceitei, as coisas passaram a fluir melhor e descobri a paz interior de uma forma que nunca havia conhecido.

A Yoga fez e continua fazendo grande diferença no meu dia a dia, porque me proporciona o autoconhecimento e o vivenciar do momento presente.

A meditação, neste sentido, veio para me auxiliar no processo de autoconhecimento, trazendo a serenidade que eu precisava. O  autoconhecimento é contínuo e por isso não afirmo que já se finalizou, mas sinto que aos poucos tenho me aceitado e lidado melhor com coisas que sempre me incomodaram.

Não menos importantes, as leituras espíritas me colocaram em contato com algo muito maior, fortalecendo a minha fé no presente e no futuro, e me permitindo viver e aceitar o fluxo da vida.

Portanto, se você deseja lidar melhor com a sua ansiedade, meu primeiro conselho é aceitar que ela está presente em você em vez de travar inúmeras lutas. É importante compreender que ela não o define, apenas faz parte de alguns momentos da sua vida. Não veja-a como inimiga, mas tente compreender o seu verdadeiro papel. Busque analisar em que momentos costuma surgir com mais intensidade e, aos poucos, será possível entender o seu objetivo em cada situação. A compreensão é o primeiro passo para se libertar do que faz mal.

Muitas vezes, essas lutas que travamos conosco passam despercebidas no nosso dia-a-dia. Por isso a meditação é importante para auxiliar no processo de autoconhecimento, para percebermos como estamos agindo diante daquilo que nos faz mal. Busque identificar e se determine a modificar esses comportamentos que te trazem malefícios. As meditações guiadas são um bom começo caso você ainda não tenha realizado esse tipo de prática. Com o tempo, passe a meditar ouvindo uma música tranquila, sons da natureza ou mantras. Consequentemente, a necessidade do silêncio irá surgir cada vez intensa. Deixe que ela flua e se entregue a ele. Aos poucos, à medida que for se sentindo mais confortável, tire os suportes e torne o silêncio o melhor espaço para meditar.

Com o tempo, o silêncio interior e exterior se tornarão essenciais, auxiliando na conquista da serenidade e do equilíbrio.

Não se deixe levar por sentimentos ou sensações ruins que existem em você. Busque alternativas para supera-los. Se conheça cada vez mais. Curta a sua própria presença, o seu silêncio interior. Desfrute de bons momentos consigo mesmo, seja a sua melhor companhia. E, assim, encontre o sentido da sua vida sendo quem verdadeiramente deseja ser.

 

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