Pare de se lamentar

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O texto que vou escrever hoje é, em primeiro lugar, pra mim mesma.

Dito isso, podemos começar.

Tenho passado por muitos momentos de crise recentemente. E em relação à todas as áreas da minha vida. Por conta disso sinto que acabei caindo no ciclo da reclamação. Comecei a falar mais sobre problemas e a mergulhar dentro deles de forma que comecei a me “afogar”.

Além disso, como todos passamos por dificuldades, essa se tornou a pauta da maioria das minhas conversas com amigos e com pessoas próximas. Comecei a ter a sensação de que está todo mundo mal mesmo, que o mundo está todo errado e não tem mais jeito. Só que quando digo “mal”, não é apenas isso: é fudido mesmo, comendo o pão que o diabo amassou. Talvez as pessoas tenham aumentado o próprio sofrimento ou eu mesma tenha enxergado o que elas falam de maneira maior do que a realidade se apresenta.

Comecei a me desesperar inclusive com o sofrimento dos outros. Me sentia mal por estar de mãos atadas e não poder “salvar” meus amigos. Me sentia paralisada diante de diversas situações que eles passavam e que eu simplesmente não era capaz de compreender plenamente. Fiquei sufocada dentro da minha própria vida e das minhas relações.

Até que resolvi que precisava parar. Precisava rever tudo. Tirar toda a bagunça que existe dentro de mim, buscar perceber o que tudo isso quer me ensinar, e começar a tirar a poeira e colocar as coisas no lugar.

Nesse processo (e com a ajuda do meu analista), me dei conta de que não é bem assim. Não está todo mundo fudido. Todos temos problemas sim, todos temos motivos para sofrer de alguma forma, mas é isso que é a vida. E felizmente é assim. Se fosse um “mar de rosas” não cresceríamos. E não sei vocês, mas acredito que estamos aqui para melhorarmos cada vez mais.  Lapidarmos quem somos e buscarmos nos tornar nossa melhor versão.

E tem mais uma coisa muito importante nisso tudo: aquilo que focamos parece tomar uma dimensão muito maior. Se estamos mal e colocamos todo o foco da nossa vida nisso, só conversamos sobre isso, parece realmente que está todo mundo no mesmo barco. Mas não é bem assim: é como quando você quer comprar um carro, por exemplo, e de repente todas as pessoas da sua cidade parecem ter o mesmo carro. Isso acontece porque damos tanta atenção a isso, que todos os outros carros (ou situações de vida das pessoas) se tornam invisíveis para nós.

E é incrível como a mudança pode partir de nós. Da noite para o dia eu resolvi mudar o foco. O tom das minhas conversas mudou, a minha própria visão sobre a vida e o sofrimento se modificou, comecei a assistir outras coisas, buscar outras leituras e estou me sentindo muito mais leve. Não me sinto sufocada por todas essas questões.

Isso não significa que estou jogando o lixo pra debaixo do tapete. Estou apenas aceitando que é esse o meu momento e que não preciso me definir por ele. É importante, sim, conversar sobre o que incomoda, sobre onde o calo dói, mas não precisa ser assim o tempo todo.

Aliás, acredito que quanto mais a gente fala, mais toda dor ganha força sobre nós, toma uma dimensão maior. É importante estarmos atentos a isso também. E sabermos com quem falar. Nem todos vão nos entender, nem todos vão saber como nos ajudar. E também não temos o direito de sufocar as pessoas com nossas questões e exigir que elas nos salvem.

Essa foi uma reflexão que me doeu, mas que valeu a pena ser feita. O que vocês pensam sobre isso tudo? Como se comportam nos momentos de crise? Gostaria muito de saber, me contem nos comentários.

Namastê!

🙂

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5 comentários sobre “Pare de se lamentar

  1. Ei, Mariana, tudo bem com você?
    Às vezes tenho a sensação de que nossas lamúrias viraram um Fla x Flu, e quem sofre mais, marca. E na arquibancada dessa nossa rotina ainda tem telejornal, polarização, preconceito e tantas outras coisas que deixam nossa vidinha um tanto chaaaaatas mesmo… Verdade é que nossos problemas são essencialmente comuns, mas há certa dificuldade em escutar só por escutar, em se conectar profundamente, sem transformar tudo em embate e disputa pelo título. Sair deste ciclo de negatividade virou questão de honra, talvez de sobrevivência. Como os Hermanos já cantavam, eu, que já não quero ser um vencedor, levo a vida devagar que é pra não faltar amor 🙂

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    • Alissssson, antes de tudo: eu amo essa musica! Rs Obrigada por me lembrar dela 😀

      Fiquei pensando sobre seu comentário e acho que você tem toda razão mesmo. Parece que virou uma disputa “quem está mais na merda”. Qual é o sentido disso, ne?

      Como vc disse “sair deste ciclo de negatividade virou questão de honra, talvez de sobrevivência”. Vamos mudando a nós mesmos aos pouquinhos \o/

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  2. Pingback: Links interessantes da semana #18

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