Afinal, o que é a simplicidade?

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Falamos muito sobre simplicidade por aqui, principalmente sobre a importância de vivermos uma vida com menos coisas – materiais e emocionais – considerando que o menos é sempre mais. Mas, na prática, o que é ser simples?

Há algum tempo li talvez o melhor livro que já comprei até hoje: “Simplicidade voluntária”, de Duane Elgin. Essa semana decidi, além de reler, fazer um fichamento das partes mais importantes, o que me gerou muitas reflexões.

Muitas vezes, a ideia de simplicidade está relacionada à escassez. Mário Sérgio Cortella, um dos maiores filósofos contemporâneos, tem uma fala muito interessante sobre vida simples. Ele diz (nesse vídeo aqui):

Simplicidade não é sinônimo de carência. Simplicidade é sinônimo de suficiência. Uma vida simples não é aquela na qual haja carência; uma vida simples é aquela na qual haja suficiência. Suficiência de comida, suficiência de afeto, suficiência de socorro de saúde. Nós não podemos confundir abundância com desperdício. Nós não podemos confundir abundância com descarte inútil.

Hoje a sociedade vive aquilo que a gente chama de uma “consumolatria”, uma adoração do consumo, que gera infelicidade em sequência.

Duane Elgin elabora o conceito de  simplicidade voluntária, ou seja, uma simplicidade escolhida, intencional, que busca uma qualidade de vida superior. E diz que ao contrário do que propõe a mídia, o consumismo gera vida de sacrifícios, enquanto a simplicidade proporciona vidas de oportunidade: maior realização no trabalho, mais compaixão pelos semelhantes, sentimento de fraternidade em todas as formas de vida e êxtase por vivermos em um universo vivo. É uma alternativa para vivermos sem stress, excesso de compromissos e a alienação da vida moderna.

Ao listar algumas formas de compreensão da simplicidade, ele diz ainda que muitas pessoas associam-na a regresso, à uma volta ao passado, em que famílias abandonam as suas vidas para viver na roça, em um trailler ou em um barco, sem televisão, computador, banheiro ou carro. Mas a simplicidade consciente nada tem a ver com isso: é uma transformação do nosso modo de viver – o trabalho que fazemos, o transporte que usamos, o alimento que ingerimos, as roupas que vestimos, etc. Essa simplicidade procura melhorar o nosso relacionamento com a Terra, com os semelhantes e com o universo sagrado.

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Assim, temos uma definição de simplicidade. Simplicidade é o que nos permite viver com o suficiente, com o que é essencial, abandonando hábitos de consumo destrutivos e nos tornando mais conscientes das nossas escolhas. Para mim, isso é o que faz toda a diferença, porque permite que tenhamos uma vida em harmonia conosco mesmos e com o que nos cerca – a natureza e todos os outros seres vivos.

Nem sempre é simples transformar velhos hábitos, especialmente os de consumo, quando temos apelos o tempo todo nos induzindo a comprar e a viver a nossa vida de acordo com um padrão, seguindo o fluxo de forma automática. Mas a simplicidade nos permite escolher de forma consciente como queremos perceber e viver a nossa vida. Nos permite ser autênticos em uma sociedade que impõe formas ideais de vida.

Portanto, estar consciente é o primeiro passo para uma vida mais simples. A maioria de nós vive ou viveu uma grande parte da vida de forma inconsciente, sem refletir sobre as próprias escolhas e, com isso, vivendo a vida de outras pessoas que não a nossa, nos esquecendo de que somos nós quem temos as rédeas para conduzi-la. Isso se reflete especialmente nas redes sociais, onde muitas vezes expomos aquilo que os outros querem ver, e não aquilo que realmente somos e estamos vivendo.

Sermos autênticos é um grande passo para alcançarmos a felicidade. Precisamos estar sempre em contato interior para que saibamos o que é verdadeiro e essencial para nós, quais são os nossos sonhos, planos, desejos, metas e objetivos. A partir do momento em que buscamos nos conhecer e nos conscientizamos das nossas escolhas, podemos viver de acordo com o que é melhor para nós, abandonando a necessidade de estar sempre buscando atender às expectativas do outro ou fazendo o que dizem ser certo, deixando de lado o caos de uma sociedade que nos exaure de diferentes formas.

Dessa forma, auxiliaremos na reestruturação do planeta que há tanto tempo vem nos pedindo socorro.

E vocês, tem vivido de forma consciente ou estão nesse caminho de busca pela simplicidade? Vamos trocar ideias sobre isso! 🙂

 

 

 

 

 

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Minimalismo no dia-a-dia

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Há algum tempo atrás fiz um post aqui no blog contando um pouco sobre as minhas experiências relacionadas ao Minimalismo. Nesse post, falei também sobre como o Minimalismo surgiu na minha vida e o quanto me ajudou a ser uma pessoa melhor.

Hoje, alguns anos depois, tenho ainda – e cada vez mais – o Minimalismo como um norte. Vim, então, compartilhar com vocês algumas coisas que mudaram nesse tempo, depois de ler, estudar e praticar sempre mais essa filosofia de vida.

Minimalismo nos gastos. Hoje posso dizer que aderi ao Minimalismo no que diz respeito aos meus gastos, mudando a forma como controlo as minhas finanças. Em vez de anotar tudo aquilo que gasto no mês, planejo antecipadamente os meus gastos. Separo mensalmente uma quantia fixa para cada área da minha vida e também para aquilo que já sei que vou precisar gastar naquele mês. Por exemplo: passagens de ônibus para o trabalho, cuidados estéticos, reposição de produtos que estejam acabando e alguma coisa que precise comprar, como um presente de aniversário ou uma roupa nova que esteja precisando. Planejar os gastos com antecedência nos permite ter maior controle do nosso dinheiro. Quando apenas anotamos os gastos ao fim do mês, o dinheiro nos domina; dessa forma, nós o dominamos. Isso vale também para planejamentos a longo prazo. Planejar o ano com antecedência, sabendo o que vai ser necessário em cada mês, é uma forma de economizar.

Penso sempre duas vezes antes de comprar qualquer coisa, por menor que seja. Me faço questionamentos como: “Eu realmente preciso disso?” “Posso viver sem isso agora?” “Por que isso é necessário para mim?” “Posso encontrar esse produto em um outro lugar por um preço melhor?” E, na maior parte das vezes, deixo de comprar aquilo que queria naquele momento. Muitas vezes temos o impulso de comprar alguma coisa, seja por velhos hábitos de consumo ou por um ímpeto de vontade. Nos maravilhamos com algum produto e sentimos que precisamos daquilo ali, naquela hora. Mas até que ponto essa é uma necessidade real? Fazer essas reflexões me permitiu diminuir os meus gastos e fazer uma pequena poupança. Além de ter um dinheiro reservado como garantia, essa poupança me permite dar preferência para comprar à vista e, com isso, compro muitas vezes com desconto. E somente com o planejamento anual e mensal isso se tornou possível.

Carregar pesos desnecessários (materiais ou não). Desde que conheci o Minimalismo, tenho me trabalhado incansavelmente para deixar de lado pesos desnecessários. Isso se refletiu material e emocionalmente. No dia-a-dia, levo na minha bolsa apenas aquilo que necessito: não uso mais carteira, apenas uma bolsinha onde levo o meu dinheiro e cartão de débito e um porta documentos; minha necessaire, que antes era cheia de maquiagens, hoje tem apenas pasta e escova de dentes, um absorvente e um batom; dou preferência para comprar livros em PDF ou epub para que, em vez de carregá-los, eu leve o meu leitor digital (tenho um LEV da Saraiva), o que diminuiu significativamente o peso. Antes eu adorava dizer que “carregava a casa na bolsa”. Hoje me sinto feliz quando vejo que sobra muito espaço não só na minha bolsa, mas também no meu guarda-roupa, na minha estante, no meu criado, etc.

Além dos pesos materiais, me trabalho diariamente para abolir de vez os pesos emocionais. Percebi que guardar mágoa e rancor de pessoas que me fizeram mal algum dia traz pesos enormes que atrapalham a caminhada e que, muitas vezes, nos deixam estagnados. Buscar compreender as pessoas, me esforçando por enxergar as situações pelos dois lados, foi a melhor atitude que tomei nesse sentido, porque me aproximou cada vez mais da prática do perdão. Perdoar torna a vida mais leve e tranquila.

Planejamento anual, mensal, semanal e diário e métodos de gestão do tempo. Desde que entendi o conceito de Minimalismo, percebi que precisava gerir melhor o meu tempo para tirar mais proveito de cada momento. Por isso, esse ano decidi comprar um Planner para me organizar (falei mais detalhadamente sobre isso nesse post aqui). Além de conseguir organizar melhor as minhas atividades, consigo gerir muito bem o meu tempo para cada uma, tornando-as mais proveitosas. Para me ajudar nisso, aderi também à técnica Pomodoro, especialmente para estudar, e percebi uma grande melhora no meu rendimento. Essa técnica consiste em se dedicar exclusivamente a uma atividade, sem interrupções, durante um determinado tempo (no meu caso, aumentei gradativamente: comecei com 45 minutos e cheguei até 1 hora, que hoje considero que seja o tempo ideal para mim) e, ao fim desse tempo, durante 10 minutos, se desligar completamente dela. Hoje, durante essa hora, me desconecto das redes sociais e do celular, e com isso percebi que a minha concentração aumentou consideravelmente.

Minimalismo e Slow Living. Viver uma vida mais devagar, tirando proveito de cada momento como uma experiência única é a base do Slow Living. Buscar uma rotina mais devagar em um mundo que valoriza a rapidez tem sido o que me permite viver os meus dias com mais serenidade. Aliado ao Minimalismo, ele me permite priorizar o essencial e viver cada momento imersa no presente, no aqui e agora, que é o único momento que efetivamente temos. Isso reduziu muito a minha ansiedade e me permitiu ressignificar o meu passado e, consequentemente, me amar e me aceitar mais.

O Minimalismo, aliado às minhas práticas espirituais como yoga, meditação e estudos espíritas, além do desenvolvimento pessoal, tem me permitido viver cada vez mais uma vida mais leve e tranquila, aproveitando e vivendo presententemente cada momento, vendo-os como grandes oportunidades de aprendizado.

E você, já conhecia o Minimalismo? Como o aplica na sua vida? 🙂

A linha tênue que separa o auto-amor e a auto-aceitação da autossabotagem

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Algumas semanas atrás comecei um sadhana de 21 dias (aqui, entenda a palavra como uma prática diária espiritual) que consistia em fazer uma meditação ativa específica de 45 minutos.

Nos primeiros dias estava tudo bem. Até que comecei a sentir raiva. Dos sons, dos movimentos, de quase tudo. Comecei a me questionar o que aquilo significava e se eu deveria mesmo permanecer em uma prática que estava aparentemente me fazendo mal.

Então eu parei. Troquei de meditação e reiniciei os 21 dias. Agora, estou recitando um mantra específico 108 vezes. Dura bem menos do que 45 minutos. E eu voltei pra minha zona de conforto. A verdade é que não existe muita dificuldade para mim em sentar e recitar este mantra (que por sinal é um dos que mais gosto).

Para algumas pessoas pode parecer apenas que eu fiz uma escolha que me deixou mais confortável. Mas quem foi que disse que meditação é pra te deixar mais confortável? Não é. E meditação também não é para “relaxar”.

“Se você sente muita resistência à meditação isso significa simplesmente que no fundo sua mente está alerta a algo que pode acontecer e mudar toda a sua vida. Você tem medo de renascer (…). Meditar nada mais é do que tentar limpar o seu ser, tentar se tornar novo e jovem, tentar ficar mais vivo e mais alerta. Se você tem medo da meditação é porque você tem medo da vida”. (Osho – A música mais antiga do universo)

O que isso quer dizer? Que algo realmente poderia sair daquele sadhana. Inclusive descobri porque sentia raiva. Vi que algumas coisas que decidi logo depois desses poucos dias iniciais vieram como consequência dessa meditação específica.

E é por isso que estou aqui compartilhando essa experiência com vocês. Porque percebi que nem sempre aceitar algumas coisas em nós significa nos amarmos. Algumas vezes significa apenas que preferimos permanecer na nossa zona de conforto, onde já estamos acostumados a estar e onde nada muda.

Por isso quanto mais o tempo passa, mais aumenta minha certeza de que precisamos sempre buscar o autoconhecimento, porque é apenas através dele que vamos perceber se nossa atitude diante de determinadas situações é sinal de auto-aceitação e auto-amor ou se é apenas autossabotagem.

Você já passou por alguma situação que te fizesse pensar sobre isso? Conta nos comentários.

Namastê!

🙂

Sobre auto-aceitação, auto-amor e perdão

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Sempre fui uma extremamente insegura. Tinha medo quase tudo. Na maioria das vezes, quando me pediam para fazer algo, relutava por medo de errar.

Minha autoestima ao longo de toda a vida foi baixíssima. Nunca me achei suficientemente boa para fazer qualquer coisa, por menor e mais simples que fosse.

Foi quando comecei a praticar o auto-amor e o auto-perdão. Compreendi que nem sempre vamos estar prontos para fazer o que quisermos, porque ainda temos muito a aprender ao longo de toda a vida. Mas quando me abri para mim mesma e me permiti mergulhar fundo nas minhas fraquezas – por mais que isso doesse na maior parte das vezes – eu encontrei um espacinho lá dentro onde posso me aconchegar, me sentir acolhida e envolta em muito amor.

Eu, que sempre senti que faltava uma parte minha, hoje me sinto completa. O que faltava era a minha completude. Faltava a aceitação da minha sombra, do meu lado que eu não queria mostrar para o mundo e nem para mim mesma. Hoje, acolho esse lado com amor e perdão.

Olho para o meu passado, marcado de falhas, e consigo compreender uma a uma. Olho para a criança que fui lá atrás e para o que restou dela aqui dentro e sou capaz de perdoá-la por cada desvio, cada atitude intempestiva. E, mais do que isso, sou capaz de amá-la como nunca amei. Durante toda a vida, ela teve uma sede insaciável de amor que não era sanada. Era uma criança triste e amargurada e hoje sorri na maior parte do tempo. Pequenina, às vezes vem ao meu encontro e me abraça apertado pelas pernas. Nos olhamos nos olhos e finalmente somos capazes de nos conectar.

Hoje, somos capazes de nos amar e aceitar como nunca antes conseguimos.

Não tenha medo de ser você por completo, com suas falhas, erros e incoerências. Olhe para dentro sem medo. Mergulhe mais profundo um pouquinho a cada dia e abrace com amor o seu passado e o seu presente. Se perdoe. Se ame. Lembre-se que todo erro tem por trás uma boa intenção. Tudo o que fazemos é com o objetivo de de acertar, nunca de errar. Se erramos é porque ainda somos imperfeitos e falíveis.

Acolha as suas imperfeições e aceite as suas falhas. Mas não se acomode: a nossa liberdade vem quando nos abrimos ao processo de autoconhecimento, nos amamos, acolhemos, respeitamos e transcendemos a existência, buscando sermos melhores. Assim, descobrimos dentro de nós inúmeras potencialidades e uma enorme força que nunca imaginamos possuir.

Simplicidade voluntária: minhas experiências [2]

(Para quem não leu o primeiro post e tiver interesse, é este aqui: Simplicidade voluntária: minhas experiências) 🙂

Há alguns dias atrás, li no Jardim do Mundo sobre a importância de estarmos atentos à todas as coisas que nos cercam. Apesar de levar isso sempre comigo, ver listados os aprendizados dessas experiências me despertou ainda mais vontade de estar conectada a tudo ao meu redor. Por isso, hoje decidi fazer um segundo post contando algumas das minhas experiências relacionadas à simplicidade voluntária.

Desde que li esse post tenho procurado aprender com cada pequeno momento, cada mínima vivência que antes talvez não me despertasse interesse ou curiosidade alguma.

Observo as pessoas, os seus movimentos… Os passarinhos, as borboletas, as nuvens e as flores.

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Como geralmente durante a semana não é possível ir até parques públicos, faço yoga, medito e leio em uma parte descoberta do terraço da minha casa. Caso esteja chovendo (como foi no dia em que tirei essa foto), abro a minha janela e de frente para ela coloco o meu tapetinho. E esse espaço é o suficiente para que eu possa me conectar à natureza, observando o céu e ouvindo os passarinhos cantarem.

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Muitos pousam em frente a minha janela e gosto de observá-los. Sempre fico encantada com as suas cores e os desenhos em suas asas, que parecem ser feitos à mão, como uma pintura.

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Como contei no outro post, faz parte da minha rotina visitar parques públicos, sempre que possível, para que eu possa estar ainda mais em contato com a natureza, caminhar, respirar e meditar. É uma atividade que leva menos de uma hora e me renova pela semana inteira!

Assim como os passarinhos, também adoro observar as borboletas; a forma delicada como mexem as asas, suas cores e desenhos.

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Gosto de observar as nuvens e descobri que acompanhar o seu movimento é também uma forma de meditação.

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Sou apaixonada por água desde criança. Estar perto do mar ou de um lago me tranquiliza muito. E é sempre com essa vista que faço uma pequena meditação, sentindo o vento, os cheiros, ouvindo os sons da natureza e observando os movimentos da água.

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Espero que esse post possa, de alguma forma, inspirar vocês a tirarem um pequeno tempo diariamente para curtir a sua própria companhia, a estar sempre em contato com a natureza da forma que for possível, aproveitando esses recursos que estão disponíveis ao nosso redor e nos auxiliam tanto no nosso crescimento interior.

(Se quiserem me acompanhar pelo Instagram, lá compartilho sempre algumas dessas minhas vivências).

Reencontro

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Por diversas vezes achei que seria muito difícil. Que eu não iria conseguir e que a vida me venceria por eu ser tão fraca e indefesa.

Por muito tempo pensei que tivesse nascido para sofrer, e só. Me coloquei como vítima da minha própria existência e me deixei dominar por pensamentos e hábitos negativos e viciosos que me fizeram combalir e revoltar contra a vida, contra Deus ou o Universo (ou qualquer nome que vocês queiram dar).

Durante muitas noites insones me questionei porque eu estaria aqui, neste momento, se a minha existência era dor constante. Porque a dor era só o que eu conseguia enxergar.

Por muitos anos me identifiquei, orgulhosa de mim, como alguém dependente de auxílio constante para viver. Para cada pequena conquista necessitava de alguém para aprovar, e a cada desafio, implorava por mãos me sustentando para que eu pudesse enfrentar.

Carregava comigo, em cada passo, uma bengala emocional nas cordas bambas da vida, indo de um lado para o outro, me equilibrando e apoiando no outro, que responsabilizava pelas minhas quedas e fracassos.

Por muito tempo me esqueci mim.

Mas depois de muitos erros e tropeços pude, finalmente, me reencontrar.

Foi um reencontro emocionado, saudoso e regado de amor. Mergulhei lá dentro do meu ser e, sem medo, enfrentei inúmeras sombras de rostos desfigurados; batalhei constantemente com os meus opostos desencontrados até poder reuni-los novamente e sermos um só. E a cada vez que eles se separam, lá vou eu lutar para uni-los novamente, até que percebo que, se falta um, o outro sequer existe.

Foi o reencontro mais lindo que já presenciei.

E quando por um pequeno descuido me esqueço novamente, me lembro da leveza que sinto quando posso seguir junto de mim, imersa em meu ser e seguindo os meus próprios passos, confiante de que o meu suporte está aqui dentro.

E hoje sei que diante das dores, dificuldades e pedras no caminho, dentro de mim está a minha cura. E posso mergulhar, sem medo, até encontrá-la.

A importância da autoaceitação

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Quando entramos no processo de autoconhecimento, por vezes pode ser muito difícil aceitarmos nossas limitações. Entramos em contato com a pior parte de nós e nem sempre é fácil lidar com isso. Porém, antes de mudarmos qualquer coisa, precisamos tomar consciência de quem somos e nos aceitar. Tanto no presente, quanto aceitar quem fomos no passado. Assim como agora vivemos de acordo com as nossas possibilidades (em todos os sentidos), no passado também era assim.

Em alguns momentos já me vi arrependida por conta de atitudes passadas e me peguei pensando que se pudesse voltar no tempo teria feito diferente. Todavia existem dois problemas nisso: o primeiro é que obviamente isso não é possível (ao menos no momento atual); e o segundo é que não faz o menor sentido olhar com os olhos de hoje para algo que fiz no passado, simplesmente porque eu não era a mesma.

Isso me leva a pensar que é importantíssimo olharmos para nós mesmos com amor e nos aceitarmos. Seja nosso eu de ontem, seja nosso eu de agora. Antes de pensarmos no que energias externas podem nos causar, por exemplo, devemos levar em conta o que nós mesmos estamos fazendo conosco ao brigarmos com quem somos.

Quando nos culpamos por quem somos justamente pela falta de autoaceitação, acabamos potencializando o que queremos negar, porque a verdade é que tudo que negamos aumenta. É por isso que quando você não aceita algo em si acaba enxergando muito disso no outro. Precisamos lidar com nossas sombras e isso começa na autoaceitação.

Importante lembrarmos também que não estou falando aqui de preguiça de mudar, autoaceitar-se significa lembrar a si mesmo que por enquanto você não consegue ser exatamente como gostaria em todos os momentos, mas que você vai alimentar isso em si para que um dia esses momentos se tornem predominantes em sua vida.

A autoaceitação é uma parte importante do auto-amor. Significa você ter consciência das suas próprias limitações e aceitar que até aquele momento você não conseguia agir de outra forma. E isso é maravilhoso! Precisamos nos cuidar, nos tratar com carinho e com paciência. Mudar dói, crescer espiritual e emocionalmente é trabalhoso e não é da noite para o dia. Lembre-mo-nos disso!

Namastê!

🙂

Simplicidade voluntária: minhas experiências

Por diversas vezes me peguei pensando no quanto gostaria de estar vivendo uma vida silenciosa no campo, morando em uma casa pequena e simples, rodeada pela natureza, pelos animais e cercada pelo silêncio.

Muitas vezes associei o conceito de simplicidade a uma vida assim. Mas com o tempo percebi que não é necessário que eu viva nessas condições para que encontre a paz e o equilíbrio interior. Com certeza há muitas pessoas que vivem dessa forma, mas que, interiormente, não levam uma vida simples e consciente, tomadas por estresse, preocupações e pesos desnecessários. O exterior, nesse caso, não auxilia em seu crescimento interior, e o ambiente que as cerca em nada ajuda a se manter em equilíbrio.

Moro no centro de uma cidade não tão grande, com uma média de 500 mil habitantes. É um ótimo lugar para se morar, já que temos algumas oportunidades e opções de lazer que não encontraria em uma cidade pequena.

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Juiz de Fora vista do Mirante do Morro do Cristo

Vira e mexe me pego pensando no quanto gostaria de ter um cantinho para entrar em contato com a natureza, fazer Yoga, meditar, ler… e esses dias percebi que, na verdade, sou muito privilegiada. E tive essa percepção apenas com uma mudança de ponto de vista.

Moro no centro da cidade e sempre vi isso como um problema, apesar de considerar a minha rua uma das mais tranquilas. O movimento de carros e pessoas é contínuo durante a semana, mas do meu quarto consigo ouvir os passarinhos cantarem ao longo de todo o dia na minha janela. Inclusive acordo com o seu canto todos os dias, e enquanto escrevo esse texto eles fazem uma sinfonia por aqui.

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Eu só preciso escolher para onde voltar o meu foco: para o seu canto que me tranquiliza ou para os carros e movimento das pessoas na rua que me trazem agitação e ansiedade.

Além disso, por morar no centro, tenho várias possibilidades a minha disposição. Estando próxima a vários pontos de ônibus, posso me locomover para qualquer lugar. Isso me proporciona com muita facilidade ir a parques e lugares cercados pela natureza.

É disso que se trata a simplicidade voluntária. Não é necessário que vivamos no campo ou em meio à natureza para que nos sintamos plenos e tranquilos; é possível encontrar formas de ser simples e viver uma vida mais tranquila em meio ao “caos” urbano. O que importa é o quanto você encontra interiormente essa simplicidade e permite que ela transforme a sua vida.

Viver de forma simples e consciente é uma escolha que independe dos fatores exteriores a você. E por muitas vezes nos prendemos a esses conceitos, o que nos desestimula a viver a simplicidade.

Podemos aproveitar pequenas coisas. Em vez de reclamar pelo que não é possível ter neste momento, passemos a apreciar o que está a nossa disposição. Pela janela podemos ver o céu azul, ouvir o canto dos passarinhos e, mesmo que por uma pequena fresta, podemos sentir o sol enquanto respiramos, meditamos ou fazemos uma leitura. Muitas vezes não damos valor aos patrimônios públicos, mas os parques estão a nossa disposição para um passeio ou uma caminhada antes ou depois do expediente de trabalho e/ou durante o final de semana.

Não crie empecilhos. Se precisa de ônibus para se locomover até lá, vá ouvindo uma música que você goste. Ao chegar, leia um livro, respire o ar puro, observe atentamente as inúmeras pequenas belezas ao seu redor, caminhe meditativamente entre as árvores e se permita ser preenchido pela energia revigorante da natureza.

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Parque da Lajinha / Juiz de Fora

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Museu Mariano Procópio / Juiz de Fora

Ou aprecie o por do sol em um mirante ou em um ponto alto da cidade…

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Vista do ICH na Universidade Federal de Juiz de Fora

Observe a perfeição do que nos cerca e seja grato por ser parte disso.

Essas últimas fotos foram só alguns exemplos do que vivenciei nessa ultima semana; do que me permiti perceber e apreciar. Mas você pode também descobrir esses recursos, aonde quer que esteja.

Esteja atento e aproveite tudo o que tem à disposição e que, por muitas vezes, passa despercebido. Não se prenda a padrões relacionados ao estilo de vida que você deseja viver. Apenas viva, e você irá perceber que os recursos estão disponíveis a sua volta. Só depende de você percebê-los.

Expectativas

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Qual é a expectativa que temos criado em relação às pessoas que convivemos?

Lanço essa pergunta porque a tenho feito para mim mesma ao longo de todo esse ano. Decidi, na virada de 2017, que esse seria o ano em que trabalharia essa expectativa constante que deposito no outro.

Sempre culpei todos por me machucarem, simplesmente por não corresponderem àquilo que eu esperava. Pequenas atitudes, nem sempre intencionalmente ruins, sempre me magoaram demais, e eu tive que aprender a lidar com isso durante a vida para não me magoar tanto.

Muitas vezes ainda me pego decepcionada com as pessoas e culpando-as por fazerem algum mal a mim, mesmo sabendo que esse mal sou eu mesma quem crio quando espero algo diferente delas.

Foi depois de muitas decepções que aprendi que quando esperamos que as pessoas ajam de um jeito conosco, além de estarmos desrespeitando a sua maneira de ser, nós é que sempre vamos nos magoar. Somos todos diferentes: temos percepções e formas diversas de nos colocarmos no mundo. Algo que me deixa triste não causa o mesmo em você, necessariamente.

Foi com essa percepção que consegui finalmente aprender a compreender verdadeiramente as pessoas. Ainda estou aprendendo, porque é um hábito e não se desenvolve de uma hora para a outra.

Temos a tendência de reagir agressivamente sempre que somos magoados por qualquer motivo. Mas, como já disse acima, muitas das vezes a intenção do outro não foi a de causar isso em nós. Ainda assim reagimos intempestivamente, brigamos e acusamos. E se não o fazemos verbalmente, fazemos dentro de nós. Então, que tal começarmos a nos colocar mais no lugar do outro?

Se alguém age de uma forma que você não concorda, se habitue a analisar a situação antes de reagir. Se conscientize do que te magoou e busque primeiramente em você o motivo que pode ter gerado a mágoa. Ao mesmo tempo, tente se colocar no lugar daquele que te ofendeu. Talvez ele esteja vivendo um dia ou momento ruim; então precisamos sempre agir agressivamente só porque nos sentimos ofendidos? Por que não tentamos compreender antes de revidar a ofensa? Não é assim que gostaríamos que agissem conosco quando também estivermos passando por uma fase difícil?

Não criar expectativas é, além de tudo, aceitar o outro nas suas diferenças. E ainda bem que elas existem, porque nos mostram que nem sempre a vida vai corresponder à tudo que esperamos dela. E, assim como das pessoas, sempre vamos nos preservar quando não criamos grandes ilusões, porque nem sempre o que esperamos é o que vamos receber, ainda que nos esforcemos para isso.

É preciso também deixar ir, ainda que tenhamos todas as possibilidades de criar o nosso futuro e as nossas relações da forma como desejamos. E principalmente aceitar que nem sempre o que esperamos é o que vai ocorrer, porque não temos o controle de tudo.

Façamos o que está ao nosso alcance: a nossa parte. E deixemos que a vida se encarregue de trazer o que está guardado para nós.

 

E o caminho profissional, como está?

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Eu tenho “quase 30”. E você que me lê?

Quando se chega nessa idade, parece existir uma forte pressão pare definir o que vamos fazer da vida. Isso antes era cobrado bem mais cedo, porque as pessoas achavam que fazer faculdade era suficiente para definir as coisas. E embora existam os prodígios que com 20 e poucos já têm um caminho mais ou menos traçado, a verdade é que estamos todos perdidos. Como já escrevi por aqui outras vezes, estamos todos no mesmo barco, tateando em busca de um caminho que nos preencha.

Já tive tantas crises em relação ao meu caminho profissional que não dá nem pra contar. Com certeza cada uma delas me ensinou alguma lição preciosa (como tudo na vida), mas no final das contas a lição mais importante talvez tenha sido a aceitação. Não adianta brigarmos com o presente, não adianta nos revoltarmos, estarmos aqui querendo estar lá. Não vai ser isso que vai mudar nossas vidas. E qualquer mudança que venha a acontecer também não vai ser do dia pra noite. Então precisamos aceitar o presente e acolhê-lo. Vivê-lo com o nosso melhor. E isso vale sim para trabalho. Mesmo aquele que talvez você não goste tanto assim.

Portanto, para mim, a aceitação foi o melhor caminho. Sinto que ainda não encontrei totalmente meu rumo profissional. Tenho muitas ideias e dificuldade de colocá-las em prática (aposto que tem muita gente aí do outro lado se identificando com isso, certo?). Mas aprendi que o momento que estou vivendo é exatamente o que preciso viver e que por mais clichê que possa parecer, o caminho se faz caminhando. É isso que tenho feito. Não me acomodo, mas também não brigo com meu momento profissional atual. Sigo buscando outras coisas e formas de alcançar meu propósito, mas sem odiar o que faço hoje, pelo contrário, aprendi a gostar por várias razões – pelas pessoas, pela oportunidade de me sustentar, pelas portas que podem ser abertas, pela possibilidade de solucionar problemas.

Porém, como essa fase da vida pode ser bem complicadinha, nós mesmos podemos acabar nos cobrando demais uma decisão, um caminho minimamente definitivo e que nos dê satisfação e sustento. Mas a verdade é que isso não parece existir…nem agora e nem nunca. Nada é definitivo e a prova disso é a quantidade de pessoas de todas as idades que mudam de carreira anualmente.

Estamos sempre caminhando. E isso é maravilhoso, porque a vida é maravilhosa! Então continuemos caminhando mesmo, e sem nos cobrar tanto.

Namastê!

🙂

Texto inspirado na postagem da Bruna, do Uma Vida Mais Simples: As coisas por aqui