Reencontro

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Por diversas vezes achei que seria muito difícil. Que eu não iria conseguir e que a vida me venceria por eu ser tão fraca e indefesa.

Por muito tempo pensei que tivesse nascido para sofrer, e só. Me coloquei como vítima da minha própria existência e me deixei dominar por pensamentos e hábitos negativos e viciosos que me fizeram combalir e revoltar contra a vida, contra Deus ou o Universo (ou qualquer nome que vocês queiram dar).

Durante muitas noites insones me questionei porque eu estaria aqui, neste momento, se a minha existência era dor constante. Porque a dor era só o que eu conseguia enxergar.

Por muitos anos me identifiquei, orgulhosa de mim, como alguém dependente de auxílio constante para viver. Para cada pequena conquista necessitava de alguém para aprovar, e a cada desafio, implorava por mãos me sustentando para que eu pudesse enfrentar.

Carregava comigo, em cada passo, uma bengala emocional nas cordas bambas da vida, indo de um lado para o outro, me equilibrando e apoiando no outro, que responsabilizava pelas minhas quedas e fracassos.

Por muito tempo me esqueci mim.

Mas depois de muitos erros e tropeços pude, finalmente, me reencontrar.

Foi um reencontro emocionado, saudoso e regado de amor. Mergulhei lá dentro do meu ser e, sem medo, enfrentei inúmeras sombras de rostos desfigurados; batalhei constantemente com os meus opostos desencontrados até poder reuni-los novamente e sermos um só. E a cada vez que eles se separam, lá vou eu lutar para uni-los novamente, até que percebo que, se falta um, o outro sequer existe.

Foi o reencontro mais lindo que já presenciei.

E quando por um pequeno descuido me esqueço novamente, me lembro da leveza que sinto quando posso seguir junto de mim, imersa em meu ser e seguindo os meus próprios passos, confiante de que o meu suporte está aqui dentro.

E hoje sei que diante das dores, dificuldades e pedras no caminho, dentro de mim está a minha cura. E posso mergulhar, sem medo, até encontrá-la.

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Simplicidade voluntária: minhas experiências

Por diversas vezes me peguei pensando no quanto gostaria de estar vivendo uma vida silenciosa no campo, morando em uma casa pequena e simples, rodeada pela natureza, pelos animais e cercada pelo silêncio.

Muitas vezes associei o conceito de simplicidade a uma vida assim. Mas com o tempo percebi que não é necessário que eu viva nessas condições para que encontre a paz e o equilíbrio interior. Com certeza há muitas pessoas que vivem dessa forma, mas que, interiormente, não levam uma vida simples e consciente, tomadas por estresse, preocupações e pesos desnecessários. O exterior, nesse caso, não auxilia em seu crescimento interior, e o ambiente que as cerca em nada ajuda a se manter em equilíbrio.

Moro no centro de uma cidade não tão grande, com uma média de 500 mil habitantes. É um ótimo lugar para se morar, já que temos algumas oportunidades e opções de lazer que não encontraria em uma cidade pequena.

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Juiz de Fora vista do Mirante do Morro do Cristo

Vira e mexe me pego pensando no quanto gostaria de ter um cantinho para entrar em contato com a natureza, fazer Yoga, meditar, ler… e esses dias percebi que, na verdade, sou muito privilegiada. E tive essa percepção apenas com uma mudança de ponto de vista.

Moro no centro da cidade e sempre vi isso como um problema, apesar de considerar a minha rua uma das mais tranquilas. O movimento de carros e pessoas é contínuo durante a semana, mas do meu quarto consigo ouvir os passarinhos cantarem ao longo de todo o dia na minha janela. Inclusive acordo com o seu canto todos os dias, e enquanto escrevo esse texto eles fazem uma sinfonia por aqui.

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Eu só preciso escolher para onde voltar o meu foco: para o seu canto que me tranquiliza ou para os carros e movimento das pessoas na rua que me trazem agitação e ansiedade.

Além disso, por morar no centro, tenho várias possibilidades a minha disposição. Estando próxima a vários pontos de ônibus, posso me locomover para qualquer lugar. Isso me proporciona com muita facilidade ir a parques e lugares cercados pela natureza.

É disso que se trata a simplicidade voluntária. Não é necessário que vivamos no campo ou em meio à natureza para que nos sintamos plenos e tranquilos; é possível encontrar formas de ser simples e viver uma vida mais tranquila em meio ao “caos” urbano. O que importa é o quanto você encontra interiormente essa simplicidade e permite que ela transforme a sua vida.

Viver de forma simples e consciente é uma escolha que independe dos fatores exteriores a você. E por muitas vezes nos prendemos a esses conceitos, o que nos desestimula a viver a simplicidade.

Podemos aproveitar pequenas coisas. Em vez de reclamar pelo que não é possível ter neste momento, passemos a apreciar o que está a nossa disposição. Pela janela podemos ver o céu azul, ouvir o canto dos passarinhos e, mesmo que por uma pequena fresta, podemos sentir o sol enquanto respiramos, meditamos ou fazemos uma leitura. Muitas vezes não damos valor aos patrimônios públicos, mas os parques estão a nossa disposição para um passeio ou uma caminhada antes ou depois do expediente de trabalho e/ou durante o final de semana.

Não crie empecilhos. Se precisa de ônibus para se locomover até lá, vá ouvindo uma música que você goste. Ao chegar, leia um livro, respire o ar puro, observe atentamente as inúmeras pequenas belezas ao seu redor, caminhe meditativamente entre as árvores e se permita ser preenchido pela energia revigorante da natureza.

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Parque da Lajinha / Juiz de Fora

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Museu Mariano Procópio / Juiz de Fora

Ou aprecie o por do sol em um mirante ou em um ponto alto da cidade…

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Vista do ICH na Universidade Federal de Juiz de Fora

Observe a perfeição do que nos cerca e seja grato por ser parte disso.

Essas últimas fotos foram só alguns exemplos do que vivenciei nessa ultima semana; do que me permiti perceber e apreciar. Mas você pode também descobrir esses recursos, aonde quer que esteja.

Esteja atento e aproveite tudo o que tem à disposição e que, por muitas vezes, passa despercebido. Não se prenda a padrões relacionados ao estilo de vida que você deseja viver. Apenas viva, e você irá perceber que os recursos estão disponíveis a sua volta. Só depende de você percebê-los.

Expectativas

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Qual é a expectativa que temos criado em relação às pessoas que convivemos?

Lanço essa pergunta porque a tenho feito para mim mesma ao longo de todo esse ano. Decidi, na virada de 2017, que esse seria o ano em que trabalharia essa expectativa constante que deposito no outro.

Sempre culpei todos por me machucarem, simplesmente por não corresponderem àquilo que eu esperava. Pequenas atitudes, nem sempre intencionalmente ruins, sempre me magoaram demais, e eu tive que aprender a lidar com isso durante a vida para não me magoar tanto.

Muitas vezes ainda me pego decepcionada com as pessoas e culpando-as por fazerem algum mal a mim, mesmo sabendo que esse mal sou eu mesma quem crio quando espero algo diferente delas.

Foi depois de muitas decepções que aprendi que quando esperamos que as pessoas ajam de um jeito conosco, além de estarmos desrespeitando a sua maneira de ser, nós é que sempre vamos nos magoar. Somos todos diferentes: temos percepções e formas diversas de nos colocarmos no mundo. Algo que me deixa triste não causa o mesmo em você, necessariamente.

Foi com essa percepção que consegui finalmente aprender a compreender verdadeiramente as pessoas. Ainda estou aprendendo, porque é um hábito e não se desenvolve de uma hora para a outra.

Temos a tendência de reagir agressivamente sempre que somos magoados por qualquer motivo. Mas, como já disse acima, muitas das vezes a intenção do outro não foi a de causar isso em nós. Ainda assim reagimos intempestivamente, brigamos e acusamos. E se não o fazemos verbalmente, fazemos dentro de nós. Então, que tal começarmos a nos colocar mais no lugar do outro?

Se alguém age de uma forma que você não concorda, se habitue a analisar a situação antes de reagir. Se conscientize do que te magoou e busque primeiramente em você o motivo que pode ter gerado a mágoa. Ao mesmo tempo, tente se colocar no lugar daquele que te ofendeu. Talvez ele esteja vivendo um dia ou momento ruim; então precisamos sempre agir agressivamente só porque nos sentimos ofendidos? Por que não tentamos compreender antes de revidar a ofensa? Não é assim que gostaríamos que agissem conosco quando também estivermos passando por uma fase difícil?

Não criar expectativas é, além de tudo, aceitar o outro nas suas diferenças. E ainda bem que elas existem, porque nos mostram que nem sempre a vida vai corresponder à tudo que esperamos dela. E, assim como das pessoas, sempre vamos nos preservar quando não criamos grandes ilusões, porque nem sempre o que esperamos é o que vamos receber, ainda que nos esforcemos para isso.

É preciso também deixar ir, ainda que tenhamos todas as possibilidades de criar o nosso futuro e as nossas relações da forma como desejamos. E principalmente aceitar que nem sempre o que esperamos é o que vai ocorrer, porque não temos o controle de tudo.

Façamos o que está ao nosso alcance: a nossa parte. E deixemos que a vida se encarregue de trazer o que está guardado para nós.

 

E o caminho profissional, como está?

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Eu tenho “quase 30”. E você que me lê?

Quando se chega nessa idade, parece existir uma forte pressão pare definir o que vamos fazer da vida. Isso antes era cobrado bem mais cedo, porque as pessoas achavam que fazer faculdade era suficiente para definir as coisas. E embora existam os prodígios que com 20 e poucos já têm um caminho mais ou menos traçado, a verdade é que estamos todos perdidos. Como já escrevi por aqui outras vezes, estamos todos no mesmo barco, tateando em busca de um caminho que nos preencha.

Já tive tantas crises em relação ao meu caminho profissional que não dá nem pra contar. Com certeza cada uma delas me ensinou alguma lição preciosa (como tudo na vida), mas no final das contas a lição mais importante talvez tenha sido a aceitação. Não adianta brigarmos com o presente, não adianta nos revoltarmos, estarmos aqui querendo estar lá. Não vai ser isso que vai mudar nossas vidas. E qualquer mudança que venha a acontecer também não vai ser do dia pra noite. Então precisamos aceitar o presente e acolhê-lo. Vivê-lo com o nosso melhor. E isso vale sim para trabalho. Mesmo aquele que talvez você não goste tanto assim.

Portanto, para mim, a aceitação foi o melhor caminho. Sinto que ainda não encontrei totalmente meu rumo profissional. Tenho muitas ideias e dificuldade de colocá-las em prática (aposto que tem muita gente aí do outro lado se identificando com isso, certo?). Mas aprendi que o momento que estou vivendo é exatamente o que preciso viver e que por mais clichê que possa parecer, o caminho se faz caminhando. É isso que tenho feito. Não me acomodo, mas também não brigo com meu momento profissional atual. Sigo buscando outras coisas e formas de alcançar meu propósito, mas sem odiar o que faço hoje, pelo contrário, aprendi a gostar por várias razões – pelas pessoas, pela oportunidade de me sustentar, pelas portas que podem ser abertas, pela possibilidade de solucionar problemas.

Porém, como essa fase da vida pode ser bem complicadinha, nós mesmos podemos acabar nos cobrando demais uma decisão, um caminho minimamente definitivo e que nos dê satisfação e sustento. Mas a verdade é que isso não parece existir…nem agora e nem nunca. Nada é definitivo e a prova disso é a quantidade de pessoas de todas as idades que mudam de carreira anualmente.

Estamos sempre caminhando. E isso é maravilhoso, porque a vida é maravilhosa! Então continuemos caminhando mesmo, e sem nos cobrar tanto.

Namastê!

🙂

Texto inspirado na postagem da Bruna, do Uma Vida Mais Simples: As coisas por aqui

 

As coisas acontecem no momento exato

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Por favor, não se arrependa. Não se arrependa do que fez e das decisões que tomou. Elas aconteceram na hora exata em que precisavam acontecer. Seja para você viver algo realmente bom ou pra aprender alguma coisa.

Aquele momento em que você iniciou um relacionamento, em que terminou, em que decidiu parar de sofrer por algo do passado, que decidiu largar o emprego, sair de casa, se casar, ter um gato, um cachorro, filhos… tudo isso se deu no momento exato em que precisava se dar.

Não existe “se arrepender”, não existe achar que deveria ter sido da forma X ou Y. Simplesmente porque não foi. Foi como foi. É como é. E assim é a vida. Vamos dançando conforme a musica sem nos descabelarmos ou nos colocarmos na posição de vítimas das circunstâncias (por favor, não seja essa pessoa).

A gente tem mania de achar que tudo tem que ser do nosso jeito, na hora que queremos. No fundo somos todos crianças mimadas querendo dominar o “play”. Mas a vida não é um fábrica de realização de desejos (ouvi em um filme uma vez e achei genial). Estamos aqui para crescer, aprender, sofrer e, de alguma forma, sermos felizes no meio dessa bagunça toda.

Só não vale confundir, jamais, não se arrepender com não assumir as consequências pelos erros de percurso cometidos. Assim como tomamos decisões e atitudes, devemos tomar para nós também qualquer que seja nossa responsabilidade.

Então sigamos o baile da vida. Com amorosidade conosco mesmos, sem arrependimentos e com responsabilidade sobre o que fazemos e sentimos.

Namastê!

🙂

A vida não é linear

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Você nasce, cresce um pouquinho e entra na escola, sai da escola para a faculdade, forma, encontra a pessoa que você ama, casa-se com ela e sai da casa de seus pais para construir a sua vida, daí você vive pra trabalhar, ganhar mais e mais dinheiro e juntar patrimônio. Algumas pessoas pensam que assim deve ser a vida, uma linha do tempo com pontos pré-determinados. Mas aí você morre e poucas dessas coisas continuam tendo importância.

Bom, sou obrigada a discordar. A vida é muito mais rica e complexa do que isso. A vida é plena de possibilidades e só quem sabe o próprio momento de agir é a pessoa que vive. Ninguém mais sabe. E a pessoa pode cometer erros, achar que um momento é certo quando não é tanto assim (e tá tudo bem), mas é por isso que temos sempre que assumir as consequências dos nossos atos, sejam elas boas ou ruins. A gente cresce com ambas e sempre é possível recomeçar.

A sociedade nos impõe modelos para tudo. Inclusive modelos para vivermos. Mas isso não significa que temos que seguir esses modelos e nem que eles são os melhores para nós. Na verdade, no meu ponto de vista, em grande parte das vezes os modelos a nós impostos não servem pra nada além de nos limitar.

Não sei vocês, mas eu não quero me encaixar numa gaveta predefinida que diz como devo ser e o que devo fazer. Eu quero ser feliz e felicidade vai muito além do que acham por aí que é bom pra nós. Felicidade vem de dentro e só nós podemos saber o que é melhor pra nós. E na pior das hipóteses, caso façamos uma escolha não muito boa, é só assumirmos as consequências e recomeçarmos. Não é tão difícil assim.

Namastê!

🙂

Ser

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Você já experimentou alguma vez, por alguns instantes, apenas ser?

Quantas vezes vivemos uma vida exterior, buscando o nosso lugar no mundo por meio de ações que não nos representam, em espaços que não nos sentimos bem, atuando em papéis sociais padronizados, para sermos aceitos pelos outros?

Há algumas semanas li um texto que dizia que sem a nossa existência o universo estaria incompleto, porque estamos existindo, cada um, de uma forma peculiar. Agimos da forma como só nós poderíamos agir, exatamente no lugar aonde deveríamos estar.

Essa foi a melhor definição que já li até hoje. Porque nos esquecemos de que somos interdependentes. Somos parte essencial desse todo que compõe o universo e estamos exatamente aonde deveríamos estar, ocupando o lugar predestinado para nós. Por isso, estamos no lugar certo e na hora certa, fazendo exatamente o que deveríamos fazer.

Nos preocupamos tanto em estar sempre ativos e atuantes socialmente, e acreditamos, grande parte das vezes, que essas ações devem ser praticadas para conquistarmos destaque em nossa vida social, profissional e pessoal. Quantas vezes não olhamos para a vida de alguém próximo a nós e nos comparamos a ele, diminuindo a nós e o sentido da nossa existência?

Por que não voltamos a nossa energia para o nosso interior, para existirmos em nosso próprio lugar, sendo quem nós realmente somos?

Às vezes, fatores exteriores nos trazem felicidade: é o emprego dos sonhos que conquistamos, a casa que, depois de tantos anos de trabalho, conseguimos investir, o relacionamento que finalmente deu certo… E são, sim, alegrias que devem ser aproveitadas. Se nos atentarmos, a vida é repleta de pequenas alegrias que nos dão força para continuarmos correndo atrás do que queremos conquistar.

Mas você já experimentou simplesmente ser feliz em sua existência particular?

Essa felicidade vem de dentro. Ela já existe, simplesmente pelo fato de existirmos e sermos quem somos. Porque somos peça fundamental para o funcionamento desse todo, mas muitas vezes não temos consciência disso.

Por muito tempo acreditei que as verdadeiras alegrias estavam no exterior que me cerca, mas hoje eu aprendi que ser feliz não custa nada. Basta apenas que eu seja em minha própria existência.

Muitas vezes, me atentei apenas ao que era externo, desligada de mim mesma. Meditei ouvindo os pássaros cantando, uma música relaxante… e por vezes ainda uso esses suportes. Mas hoje, o que me traz plenitude é deitar em meu tapete, em uma posição confortável, e apenas ser. Ser, além de tudo que me cerca, que me define, que me enquadra socialmente. Ser, além das expectativas que deposito em mim, das cobranças que a mente me traz, do que os outros conquistaram e eu “deveria” ter. E, sendo, eu posso real e finalmente ocupar o meu lugar e fazer a diferença que por tantos anos eu busquei fora de mim.

Hoje, tenho a clareza de que nenhum dos nossos sonhos está abandonado, porque somos parte essencial de um universo que conta conosco para que as coisas fluam da forma como têm que ser.

Portanto, experimente por alguns instantes apenas ser. Ser sem rótulos, preconceitos e padrões. Respire e seja. .

Aquiete a mente e volte toda a sua atenção para você. Volte as suas energias, tantas vezes depositada no exterior, para você. Aprecie a sua companhia, o estar presente no aqui e no agora. Sinta a leveza de ser quem você é. E o mais importante: guarde em você essa sensação e leve-a para o seu dia a dia, para cada relacionamento e cada situação.

Apenas sendo, nós estamos contribuindo imensamente para a nossa e para a harmonia do todo que nos cerca.

 

Pare de se lamentar

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O texto que vou escrever hoje é, em primeiro lugar, pra mim mesma.

Dito isso, podemos começar.

Tenho passado por muitos momentos de crise recentemente. E em relação à todas as áreas da minha vida. Por conta disso sinto que acabei caindo no ciclo da reclamação. Comecei a falar mais sobre problemas e a mergulhar dentro deles de forma que comecei a me “afogar”.

Além disso, como todos passamos por dificuldades, essa se tornou a pauta da maioria das minhas conversas com amigos e com pessoas próximas. Comecei a ter a sensação de que está todo mundo mal mesmo, que o mundo está todo errado e não tem mais jeito. Só que quando digo “mal”, não é apenas isso: é fudido mesmo, comendo o pão que o diabo amassou. Talvez as pessoas tenham aumentado o próprio sofrimento ou eu mesma tenha enxergado o que elas falam de maneira maior do que a realidade se apresenta.

Comecei a me desesperar inclusive com o sofrimento dos outros. Me sentia mal por estar de mãos atadas e não poder “salvar” meus amigos. Me sentia paralisada diante de diversas situações que eles passavam e que eu simplesmente não era capaz de compreender plenamente. Fiquei sufocada dentro da minha própria vida e das minhas relações.

Até que resolvi que precisava parar. Precisava rever tudo. Tirar toda a bagunça que existe dentro de mim, buscar perceber o que tudo isso quer me ensinar, e começar a tirar a poeira e colocar as coisas no lugar.

Nesse processo (e com a ajuda do meu analista), me dei conta de que não é bem assim. Não está todo mundo fudido. Todos temos problemas sim, todos temos motivos para sofrer de alguma forma, mas é isso que é a vida. E felizmente é assim. Se fosse um “mar de rosas” não cresceríamos. E não sei vocês, mas acredito que estamos aqui para melhorarmos cada vez mais.  Lapidarmos quem somos e buscarmos nos tornar nossa melhor versão.

E tem mais uma coisa muito importante nisso tudo: aquilo que focamos parece tomar uma dimensão muito maior. Se estamos mal e colocamos todo o foco da nossa vida nisso, só conversamos sobre isso, parece realmente que está todo mundo no mesmo barco. Mas não é bem assim: é como quando você quer comprar um carro, por exemplo, e de repente todas as pessoas da sua cidade parecem ter o mesmo carro. Isso acontece porque damos tanta atenção a isso, que todos os outros carros (ou situações de vida das pessoas) se tornam invisíveis para nós.

E é incrível como a mudança pode partir de nós. Da noite para o dia eu resolvi mudar o foco. O tom das minhas conversas mudou, a minha própria visão sobre a vida e o sofrimento se modificou, comecei a assistir outras coisas, buscar outras leituras e estou me sentindo muito mais leve. Não me sinto sufocada por todas essas questões.

Isso não significa que estou jogando o lixo pra debaixo do tapete. Estou apenas aceitando que é esse o meu momento e que não preciso me definir por ele. É importante, sim, conversar sobre o que incomoda, sobre onde o calo dói, mas não precisa ser assim o tempo todo.

Aliás, acredito que quanto mais a gente fala, mais toda dor ganha força sobre nós, toma uma dimensão maior. É importante estarmos atentos a isso também. E sabermos com quem falar. Nem todos vão nos entender, nem todos vão saber como nos ajudar. E também não temos o direito de sufocar as pessoas com nossas questões e exigir que elas nos salvem.

Essa foi uma reflexão que me doeu, mas que valeu a pena ser feita. O que vocês pensam sobre isso tudo? Como se comportam nos momentos de crise? Gostaria muito de saber, me contem nos comentários.

Namastê!

🙂

Como podemos agir diante de uma decisão difícil?

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Muitas vezes, diante de uma decisão difícil, nos sentimos perdidos, sem saber por onde caminhar e quais escolhas tomar. Nossa cabeça parece um turbilhão, cheia de pensamentos desconexos e com possibilidades desabrochando a todo momento.

Nos sentimos ansiosos e nossa energia é reduzida, gerando cansaço e mal estar. Nos sentimos constantemente esgotados. Como uma bola de neve, uma coisa vai gerando outras: a ansiedade de ter que tomar uma decisão gera mais ansiedade, angústia, e assim por diante.

Como lidar com tudo isso? Como agir quando não sabemos qual rumo devemos tomar?

Em primeiro lugar, respire. Muitos de nós não conhece a importância da respiração. Pare alguns minutos e se atente a ela, simplesmente. De início, os pensamentos continuarão insistentes, mas não desista e continue respirando calmamente, até sentir o seu corpo relaxar. Aos poucos você se sentirá mais tranquilo e consciente.

Então, analise as possibilidades. E, para isso, nada melhor do que colocá-las em um papel. Escreva os prós e os contras da decisão que você pretende tomar. Colocando as ideias no papel, ficará mais fácil conhecer as possibilidades sem muitos julgamentos e analisar cada uma delas detalhadamente.

Sinta a sua escolha. Não decida apenas racionalmente; busque escutar também escutar o seu coração. O equilíbrio entre o coração e a mente é fundamental para que façamos escolhas mais adequadas ao que buscamos. Ao entrar em contato com você mesmo e com o que verdadeiramente sente e deseja, você sentirá a leveza de estar no caminho certo.

Abandone o medo de falhar. Na maior parte das vezes, o que mais nos bloqueia é o medo. Temos medo de errar, de nos arrepender e de sermos criticados por isso. Ninguém escolhe querendo errar, mas se acontecer, tudo bem também! É somente arriscando que podemos sair da nossa zona de conforto.

Além disso, nos esquecemos de que todos somos seres falíveis e imperfeitos. Nos esquecemos também de que temos todo o potencial para sermos melhores, e são exatamente os erros que nos permitem refletir sobre as nossas condutas e, assim, buscarmos nos melhorar.

Toda escolha demanda uma renúncia, mas isso não significa que você escolheu equivocadamente. Muitas vezes olhamos para trás e nos cobramos, arrependidos das escolhas que fizemos. Mas é importante que não nos esqueçamos de que tudo é aprendizado. Se você fez uma escolha e se arrependeu, analise o que ela te trouxe de bom: experiências, aprendizados, superações. Olhando pelo lado bom, você sempre encontrará as razões exatas para aquela escolha que antes considerava equivocada.

Se arrependeu? Sempre é tempo de recomeçar! A vida é constante movimento, e os aprendizados que temos com as nossas experiências são sempre úteis para as nossas próximas vivências. Portanto, aprender a valorizar aquilo que aprendemos diante de uma escolha que não ocorreu da forma como imaginamos nos dá mais força e coragem para enfrentar os próximos desafios. Somente com os erros é possível amadurecer.

E é aí que está a importância do tão falado autoconhecimento: vivendo a vida de forma mais consciente, somos capazes de avaliar e compreender as nossas escolhas e atitudes, evitando julgamentos e cobranças e buscando melhorar sempre. Quando conseguimos compreender que todas as coisas têm uma razão e um momento certo para acontecer, e que muitas delas não dependem apenas de nós, conseguimos levar a vida com mais leveza e determinação e com menos arrependimentos, cobranças e sentimentos negativos.

Tá tudo bem (mesmo quando não está)

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Recentemente me dei conta de que as pessoas acham que minha vida está maravilhosa, que não tenho problemas e sou sempre grata por tudo, que sou motivada e faço tudo que quero e preciso, sempre achando tudo lindo.

Sim, minhas redes sociais são bastante positivas. Sim, eu tento manter essa positividade sempre presente. Sim, eu amo muitas coisas em minha vida (especialmente as pessoas). E sim, eu sou (talvez) a pessoa mais positiva que conheço.

Mas não, nem tudo são flores! Eu também passo por dificuldades, eu tenho mil problemas como todo mundo. Eu passo por algumas “bads” bem complicadas e tem dias que não sinto a menor vontade de sair de casa. Eu sou normal, gente! E é normal ter altos e baixos, a vida é feita disso. Se não fosse assim, como daríamos valor aos bons momentos? Às coisas boas que nos acontecem?

Esses dias, em uma conversa com uma amiga, ela se mostrou meio chocada quando disse que estava mal. Particularmente fiquei chocada com o choque dela. Redes sociais não mostram o que está dentro do gente. E aliás, muito do que posto nas minhas são mensagens pra mim mesma muito mais do que pra motivar qualquer outra pessoa.

Estou escrevendo esse texto pra dizer que está tudo bem. Tá tudo bem ficar mal. Tá tudo bem não ser positivo sempre. Tá tudo bem em alguns momentos não conseguir sentir gratidão. Também precisamos abraçar nossa sombra, ser pacientes conosco mesmas e nos permitir sentir qualquer dor que tenha nos alcançado.

Eu só sinto que não quero passar isso pra todas as pessoas. Gosto sim de emanar mensagens positivas. Até porque é isso que gosto que chegue até mim. Eu desabafo, falo, coloco pra fora tudo que preciso colocar, mas não me entrego ao sofrimento. Acolho o que sinto e me permito sentir, mas não me deixo dominar de forma que não consiga mais sair.

É claro que existem condições clínicas. A minha forma de encarar as coisas não resolve todos os problemas. Positividade e gratidão não resolvem todos os problemas. Mas até amigas que passaram ou passam por depressão, por exemplo, sabem que só conseguem sair disso se quiserem, remédios também não fazem milagres. Mas isso  é assunto pra outro post (que eu nem me atreveria a escrever, na verdade, porque não experienciei).

Então isso tudo é só um lembrete de que a felicidade não é obrigação, faz parte da vida ficarmos tristes, inconformados ou seja lá o que estivermos sentindo. E negar os sentimentos ruins só faz piorá-los. Lembremo-nos disso.

Namastê!

🙂