Afinal, o que é a simplicidade?

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Falamos muito sobre simplicidade por aqui, principalmente sobre a importância de vivermos uma vida com menos coisas – materiais e emocionais – considerando que o menos é sempre mais. Mas, na prática, o que é ser simples?

Há algum tempo li talvez o melhor livro que já comprei até hoje: “Simplicidade voluntária”, de Duane Elgin. Essa semana decidi, além de reler, fazer um fichamento das partes mais importantes, o que me gerou muitas reflexões.

Muitas vezes, a ideia de simplicidade está relacionada à escassez. Mário Sérgio Cortella, um dos maiores filósofos contemporâneos, tem uma fala muito interessante sobre vida simples. Ele diz (nesse vídeo aqui):

Simplicidade não é sinônimo de carência. Simplicidade é sinônimo de suficiência. Uma vida simples não é aquela na qual haja carência; uma vida simples é aquela na qual haja suficiência. Suficiência de comida, suficiência de afeto, suficiência de socorro de saúde. Nós não podemos confundir abundância com desperdício. Nós não podemos confundir abundância com descarte inútil.

Hoje a sociedade vive aquilo que a gente chama de uma “consumolatria”, uma adoração do consumo, que gera infelicidade em sequência.

Duane Elgin elabora o conceito de  simplicidade voluntária, ou seja, uma simplicidade escolhida, intencional, que busca uma qualidade de vida superior. E diz que ao contrário do que propõe a mídia, o consumismo gera vida de sacrifícios, enquanto a simplicidade proporciona vidas de oportunidade: maior realização no trabalho, mais compaixão pelos semelhantes, sentimento de fraternidade em todas as formas de vida e êxtase por vivermos em um universo vivo. É uma alternativa para vivermos sem stress, excesso de compromissos e a alienação da vida moderna.

Ao listar algumas formas de compreensão da simplicidade, ele diz ainda que muitas pessoas associam-na a regresso, à uma volta ao passado, em que famílias abandonam as suas vidas para viver na roça, em um trailler ou em um barco, sem televisão, computador, banheiro ou carro. Mas a simplicidade consciente nada tem a ver com isso: é uma transformação do nosso modo de viver – o trabalho que fazemos, o transporte que usamos, o alimento que ingerimos, as roupas que vestimos, etc. Essa simplicidade procura melhorar o nosso relacionamento com a Terra, com os semelhantes e com o universo sagrado.

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Assim, temos uma definição de simplicidade. Simplicidade é o que nos permite viver com o suficiente, com o que é essencial, abandonando hábitos de consumo destrutivos e nos tornando mais conscientes das nossas escolhas. Para mim, isso é o que faz toda a diferença, porque permite que tenhamos uma vida em harmonia conosco mesmos e com o que nos cerca – a natureza e todos os outros seres vivos.

Nem sempre é simples transformar velhos hábitos, especialmente os de consumo, quando temos apelos o tempo todo nos induzindo a comprar e a viver a nossa vida de acordo com um padrão, seguindo o fluxo de forma automática. Mas a simplicidade nos permite escolher de forma consciente como queremos perceber e viver a nossa vida. Nos permite ser autênticos em uma sociedade que impõe formas ideais de vida.

Portanto, estar consciente é o primeiro passo para uma vida mais simples. A maioria de nós vive ou viveu uma grande parte da vida de forma inconsciente, sem refletir sobre as próprias escolhas e, com isso, vivendo a vida de outras pessoas que não a nossa, nos esquecendo de que somos nós quem temos as rédeas para conduzi-la. Isso se reflete especialmente nas redes sociais, onde muitas vezes expomos aquilo que os outros querem ver, e não aquilo que realmente somos e estamos vivendo.

Sermos autênticos é um grande passo para alcançarmos a felicidade. Precisamos estar sempre em contato interior para que saibamos o que é verdadeiro e essencial para nós, quais são os nossos sonhos, planos, desejos, metas e objetivos. A partir do momento em que buscamos nos conhecer e nos conscientizamos das nossas escolhas, podemos viver de acordo com o que é melhor para nós, abandonando a necessidade de estar sempre buscando atender às expectativas do outro ou fazendo o que dizem ser certo, deixando de lado o caos de uma sociedade que nos exaure de diferentes formas.

Dessa forma, auxiliaremos na reestruturação do planeta que há tanto tempo vem nos pedindo socorro.

E vocês, tem vivido de forma consciente ou estão nesse caminho de busca pela simplicidade? Vamos trocar ideias sobre isso! 🙂

 

 

 

 

 

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Minimalismo no dia-a-dia

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Há algum tempo atrás fiz um post aqui no blog contando um pouco sobre as minhas experiências relacionadas ao Minimalismo. Nesse post, falei também sobre como o Minimalismo surgiu na minha vida e o quanto me ajudou a ser uma pessoa melhor.

Hoje, alguns anos depois, tenho ainda – e cada vez mais – o Minimalismo como um norte. Vim, então, compartilhar com vocês algumas coisas que mudaram nesse tempo, depois de ler, estudar e praticar sempre mais essa filosofia de vida.

Minimalismo nos gastos. Hoje posso dizer que aderi ao Minimalismo no que diz respeito aos meus gastos, mudando a forma como controlo as minhas finanças. Em vez de anotar tudo aquilo que gasto no mês, planejo antecipadamente os meus gastos. Separo mensalmente uma quantia fixa para cada área da minha vida e também para aquilo que já sei que vou precisar gastar naquele mês. Por exemplo: passagens de ônibus para o trabalho, cuidados estéticos, reposição de produtos que estejam acabando e alguma coisa que precise comprar, como um presente de aniversário ou uma roupa nova que esteja precisando. Planejar os gastos com antecedência nos permite ter maior controle do nosso dinheiro. Quando apenas anotamos os gastos ao fim do mês, o dinheiro nos domina; dessa forma, nós o dominamos. Isso vale também para planejamentos a longo prazo. Planejar o ano com antecedência, sabendo o que vai ser necessário em cada mês, é uma forma de economizar.

Penso sempre duas vezes antes de comprar qualquer coisa, por menor que seja. Me faço questionamentos como: “Eu realmente preciso disso?” “Posso viver sem isso agora?” “Por que isso é necessário para mim?” “Posso encontrar esse produto em um outro lugar por um preço melhor?” E, na maior parte das vezes, deixo de comprar aquilo que queria naquele momento. Muitas vezes temos o impulso de comprar alguma coisa, seja por velhos hábitos de consumo ou por um ímpeto de vontade. Nos maravilhamos com algum produto e sentimos que precisamos daquilo ali, naquela hora. Mas até que ponto essa é uma necessidade real? Fazer essas reflexões me permitiu diminuir os meus gastos e fazer uma pequena poupança. Além de ter um dinheiro reservado como garantia, essa poupança me permite dar preferência para comprar à vista e, com isso, compro muitas vezes com desconto. E somente com o planejamento anual e mensal isso se tornou possível.

Carregar pesos desnecessários (materiais ou não). Desde que conheci o Minimalismo, tenho me trabalhado incansavelmente para deixar de lado pesos desnecessários. Isso se refletiu material e emocionalmente. No dia-a-dia, levo na minha bolsa apenas aquilo que necessito: não uso mais carteira, apenas uma bolsinha onde levo o meu dinheiro e cartão de débito e um porta documentos; minha necessaire, que antes era cheia de maquiagens, hoje tem apenas pasta e escova de dentes, um absorvente e um batom; dou preferência para comprar livros em PDF ou epub para que, em vez de carregá-los, eu leve o meu leitor digital (tenho um LEV da Saraiva), o que diminuiu significativamente o peso. Antes eu adorava dizer que “carregava a casa na bolsa”. Hoje me sinto feliz quando vejo que sobra muito espaço não só na minha bolsa, mas também no meu guarda-roupa, na minha estante, no meu criado, etc.

Além dos pesos materiais, me trabalho diariamente para abolir de vez os pesos emocionais. Percebi que guardar mágoa e rancor de pessoas que me fizeram mal algum dia traz pesos enormes que atrapalham a caminhada e que, muitas vezes, nos deixam estagnados. Buscar compreender as pessoas, me esforçando por enxergar as situações pelos dois lados, foi a melhor atitude que tomei nesse sentido, porque me aproximou cada vez mais da prática do perdão. Perdoar torna a vida mais leve e tranquila.

Planejamento anual, mensal, semanal e diário e métodos de gestão do tempo. Desde que entendi o conceito de Minimalismo, percebi que precisava gerir melhor o meu tempo para tirar mais proveito de cada momento. Por isso, esse ano decidi comprar um Planner para me organizar (falei mais detalhadamente sobre isso nesse post aqui). Além de conseguir organizar melhor as minhas atividades, consigo gerir muito bem o meu tempo para cada uma, tornando-as mais proveitosas. Para me ajudar nisso, aderi também à técnica Pomodoro, especialmente para estudar, e percebi uma grande melhora no meu rendimento. Essa técnica consiste em se dedicar exclusivamente a uma atividade, sem interrupções, durante um determinado tempo (no meu caso, aumentei gradativamente: comecei com 45 minutos e cheguei até 1 hora, que hoje considero que seja o tempo ideal para mim) e, ao fim desse tempo, durante 10 minutos, se desligar completamente dela. Hoje, durante essa hora, me desconecto das redes sociais e do celular, e com isso percebi que a minha concentração aumentou consideravelmente.

Minimalismo e Slow Living. Viver uma vida mais devagar, tirando proveito de cada momento como uma experiência única é a base do Slow Living. Buscar uma rotina mais devagar em um mundo que valoriza a rapidez tem sido o que me permite viver os meus dias com mais serenidade. Aliado ao Minimalismo, ele me permite priorizar o essencial e viver cada momento imersa no presente, no aqui e agora, que é o único momento que efetivamente temos. Isso reduziu muito a minha ansiedade e me permitiu ressignificar o meu passado e, consequentemente, me amar e me aceitar mais.

O Minimalismo, aliado às minhas práticas espirituais como yoga, meditação e estudos espíritas, além do desenvolvimento pessoal, tem me permitido viver cada vez mais uma vida mais leve e tranquila, aproveitando e vivendo presententemente cada momento, vendo-os como grandes oportunidades de aprendizado.

E você, já conhecia o Minimalismo? Como o aplica na sua vida? 🙂

Por que optei por um planner para me organizar em 2018?

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Durante muitos anos fui uma pessoa bastante desorganizada em vários aspectos, e um deles, primordial, era a organização das minhas atividades e gestão do meu tempo.

Eu era daquelas pessoas que comprava uma agenda nova todo ano e me propunha a fazer diferente e me organizar melhor, mas logo que a euforia inicial passava, acabava desistindo e a agenda ficava em branco pelo resto do ano.

Mas desde que comecei a ler e aprofundar os meus conhecimentos acerca do minimalismo e do desenvolvimento pessoal, passei a repensar o valor que eu dava ao meu tempo.

Temos cada vez mais a sensação de que o tempo escoa pelas nossas mãos sem que percebamos ou que possamos fazer alguma coisa em relação a isso. Nos propomos a fazer inúmeras coisas e não conseguimos, porque os dias parecem não ter nem metade das horas que realmente têm.

Mas quando começamos a tentar viver cada vez mais presentes e conscientes, dando valor a cada momento, cada segundo se torna extremamente valioso. Então, surgiu em mim a necessidade de me organizar quando percebi que isso me auxiliaria a desenvolver os hábitos necessários para alcançar as minhas metas e os meus objetivos.

Li vários blogs sobre minimalismo e organização, conheci diferentes métodos e, finalmente, os adaptei à minha realidade para que eu pudesse gerir melhor o meu tempo.

Comecei a me organizar esse ano com uma agenda tradicional. Ao longo de todo o ano de 2017, semanalmente – aos domingos – sentava durante meia hora para organizar a minha semana, distribuindo as atividades por dia e turno. Assim, tinha um panorama geral de tudo que eu deveria fazer naquela semana. Começava distribuindo as atividades rotineiras – aquelas que faço todos os dias, sem exceção – e depois passava para as específicas de cada dia. E diariamente, geralmente pela manhã, planejava o meu dia, separando as atividades em horários determinados.

Como por exemplo, algumas atividades rotineiras:

Pela manhã

  • Yoga e meditação
  • Leituras espíritas
  • Estudos sobre educação

À noite

  • Montar aula e atividades
  • Ler blogs
  • Ler sobre desenvolvimento pessoal

E algumas atividades específicas para cada dia:

Segunda-feira

  • Regar as minhas suculentas
  • Estudo no centro espírita

Terça-feira

  • Lavar o cabelo

Quarta-feira

  • Fazer unha

E assim por diante.

Essa foi a forma mais simples e mais eficaz para mim, porque me permitia ver de forma geral tudo que eu deveria fazer ao longo da semana, mas o meu foco estava somente nas atividades de cada dia.

Como as agendas tradicionais não possuem a possibilidade de organização semanal, após tentar outras alternativas sem sucesso, acabei optando por colar post its para distribuir as atividades ao longo da semana em um espaço na segunda-feira, mas isso nunca me agradou muito. Decidi, então, que para 2018 investiria em um planner, porque me permitiria fazer a minha organização de forma mais sistemática, menos poluída e muito mais organizada.

Dentre as opções, a que mais me agradou foi a disponibilizada no blog Não me mande flores por ser a mais completa: podemos organizar o ano, a semana e os dias por horários. Além de ser lindo!

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Pensei bastante antes de tomar essa decisão, porque comprar ou imprimir um planner não sai muito barato por ter muitas páginas e detalhes. E depois de muito refletir, percebi que esse seria um investimento que me auxiliaria ao longo de todo o meu ano, assim como ter praticado essa forma de organização tanto me ajudou nesse que passou.

Hoje, com esse método, sinto que os meus dias rendem muito mais e que somente por meio dele fui capaz de criar hábitos e disciplina para muitas coisas que nos anos anteriores não conseguia, como a minha rotina diurna de meditação e autoconhecimento, por exemplo. Se eventualmente não consigo planejar o meu dia no papel, acabo deixando de fazer a maior parte do que eu me propus, provavelmente por criar um “volume” mental desnecessário, e acabo me desorganizando ainda mais.

Quando realizamos cada atividade a que nos propusemos, por menor que seja, geramos em nós mais força de vontade para fazer tudo aquilo que determinamos para o resto do dia, o que nos torna mais confiantes e disciplinados.

Por isso, minha primeira dica é: para se organizar mais e aproveitar melhor o seu tempo, escreva no papel e tire do mental tudo aquilo que você planeja. Perceba como você vai se sentir até mais leve!

Além disso, ter as atividades organizadas sistematicamente em horários definidos faz com que tenhamos mais força de vontade para realizar aquilo a que nos propusemos. Com o tempo, as atividades que pareciam difíceis de se tornarem parte da nossa rotina passam a ser essenciais no dia-a-dia porque viram hábitos. E quando escrevemos não há espaço para dúvida, porque tudo que precisamos fazer está ali, registrado no papel, então é só olhar ao longo do dia. 😉

E a segunda dica é: se proponha a fazer isso apenas durante uma semana com o método que melhor se adequar a você, e você já verá muitas diferenças no seu dia-a-dia! E se fizer, depois me conta aqui como foi essa experiência! 🙂

 

Sobre Minimalismo

menos-e-mais1Conheci o minimalismo há mais ou menos cinco anos, por meio da Mariana. Me encantei imediatamente por esse estilo de vida quando percebi que, no estágio em que me encontrava, precisava de algo ajudasse a lidar melhor comigo, tanto no que diz respeito às coisas materiais quanto às sentimentais.

Nunca fui uma pessoa acumuladora. Sempre tive o que era necessário para mim e descartava tudo que não me era mais útil em determinados momentos da minha vida. Nunca tive roupas demais, maquiagens em excesso ou quaisquer outros objetos. Entretanto, acredito que vivemos determinadas fases que mexem muito com a nossa forma de agir e acabamos mudando sem nem perceber. Foi o que aconteceu comigo e vejo acontecer com muitas pessoas ao meu redor.

Nunca fui a melhor pessoa para lidar com decepções. Pelo contrário, sempre me magoei demais com tudo. O ano de 2012 foi bem complicado para mim, porque sofri algumas decepções que me abalaram muito. Com isso, como forma de fugir dos meus problemas, comecei a comprar mais do que eu precisava, porque não conseguia “digerir” o que estava acontecendo. Comprar era a minha terapia entre tantas outras, mas era também a única que não me trazia felicidade efetivamente.

Comprei muito e acumulei coisas que não precisava. Ao longo de todo o ano agi dessa forma e me sentia cada vez pior. A sensação de comprar algo impulsivamente era ótima, mas o alívio que trazia era tão fugaz que logo a angústia já havia se duplicado. Além dela, eu sentia agora a culpa de ter comprado algo que eu não precisava com o dinheiro que muitas vezes eu não tinha.

Quando li o primeiro texto sobre minimalismo, me identifiquei imediatamente e percebi que eu queria levar aquilo para a minha vida. Eu precisava parar de acumular não somente objetos desnecessários, mas também sentimentos que me torturavam muito e que eu não sabia como lidar.

Conheci inúmeros blogs que me fizeram mudar a forma de enxergar as minhas atitudes e, finalmente, tomei consciência do erro que estava cometendo valorizando mais o que era material em detrimento do que realmente poderia me acrescentar coisas verdadeiramente boas. Fui me apropriando de todo aquele conhecimento e, diferentemente do que ocorria após um dia de compras inúteis, eu realmente me sentia feliz. Sentia que havia encontrado o verdadeiro sentido da minha vida. Assim, fui ampliando as minhas leituras, passando a ler sobre vida simples, organização, entre outras coisas que foram me ajudando a tomar consciência do processo que eu estava vivendo e me auxiliaram a me modificar.

Hoje, após tantas leituras e reflexões, um enorme peso foi tirado de mim. Nunca mais comprei nada de forma impulsiva, assim como me esforço cada vez mais para lidar com os meus sentimentos e tomar consciência de tudo que ocorre comigo, por mais que isso machuque as vezes. Comprar não me trazia felicidade, mas me conhecendo e conscientizando do que eu sinto, eu realmente posso lidar e efetivamente superar o que me incomoda, e isso é o que me traz felicidade. Comprar só me trazia uma sensação de superação falsa e passageira.

Não digo que é um processo fácil e muito menos rápido, mas um exercício que precisamos colocar em prática todos os dias. Acredito que levar uma vida mais simples e minimalista não tem uma receita pronta, porque cada um adapta a sua vida da forma que achar melhor. Eu não me prendi somente ao minimalismo, mas expandi os meus conhecimentos e hoje leio de tudo um pouco sobre um estilo de vida simples.

Hoje posso dizer que minha vida mudou radicalmente e tomo cada vez mais as rédeas do que eu quero para mim e do que posso ser. Me sinto consciente de muita coisa e me esforço para conscientizar cada vez mais, porque isso me torna uma pessoa melhor. Assim, consigo lidar de uma forma completamente diferente com as minhas decepções ou tristezas, porque agora eu vejo um sentido para tudo aquilo que vivo. Foi uma grande e longa descoberta pessoal e espiritual que acredito que todos precisamos passar para vivermos melhor.

Se você não conhece o minimalismo e se interessou por esse estilo de vida mais simples, recomendo abaixo alguns blogs que me auxiliaram no início da minha caminhada:

A semana do autoconhecimento

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O ano de 2016 foi, para mim, um ano repleto de indecisões. Récem-formada e sem saber por onde caminhar, me senti bastante confusa ao longo desses meses. Algumas vezes, desestimulada, me acomodei; outras, confiante, busquei desenfreadamente possibilidades de realização profissional. Não percebia, no entanto, que o que me faltava era o equilíbrio.

Devido ao estresse e ao desgaste emocional, como era de se esperar, ao final do ano comecei a me sentir cansada e desmotivada constantemente, até que percebi que estava entregando os pontos. Mas, internamente, eu sabia que abandonar as minhas expectativas não era o meu caminho e muito menos aonde eu gostaria de chegar.

Finalmente, decidi dar um basta nessa forma de encarar a situação. Aceitei que vivia um momento difícil, de muitas indecisões e questionamentos, e me mantive confiante de que me permitir viver essa fase era o que me impulsionaria a sair dessa aura de tristeza que me rondava e não me permitia estar em paz. Respeitei o meu momento e compreendi verdadeiramente o seu valor para o meu amadurecimento.

Quando comecei a me sentir melhor e a dar os primeiros passos, deixando para trás aquela onda de desanimo e pessimismo, me veio à cabeça, como um insight, que o que eu mais precisava era de um tempo para mim. Apesar de ter tido muitos momentos sozinha, em nenhum deles eu estive comigo mesma, apreciando a minha própria companhia, aberta a me ouvir e tentar me compreender.

Determinei o prazo de uma semana para que houvesse essa conexão interior e espiritual para me auxiliar a responder as inúmeras perguntas que rondavam a minha mente, sem qualquer cobrança, preocupação ou julgamento.

Essa foi a melhor decisão que eu poderia tomar. Talvez eu nunca tenha vivido uma experiência espiritual tão rica e significante.

A minha rotina espiritual nessa semana se compôs, basicamente, de dois momentos: no primeiro, logo ao acordar, me dedicava a prática de dez minutos de yoga e dez minutos de meditação. Esse tempo era suficiente para que eu estabelecesse esse contato interno inicial. Após essas práticas, já me sentia melhor, mais consciente e presente. No segundo momento, me dediquei a algumas leituras de estudo espírita.

A união entre essas duas práticas espirituais despertou em mim o que há muito eu não sentia: uma confiança em mim mesma e no que está por vir, no que irá chegar a qualquer momento, desde que eu me abra para isso. A minha fé foi fortalecida, pois estudando e me colocando no mundo de forma mais presente e consciente, tive ainda mais certeza de que nada do que vivo é em vão. Tudo tem seu o tempo para acontecer.

Nesse processo, percebi também que era importante me organizar. Coloquei no papel as atividades daquela semana e estabeleci uma rotina diária: todos os dias me sentava e distribuía em uma folha o que fazer naquele dia, e apenas nele, sem me preocupar com o amanhã ou com a próxima semana.

Decidi, também, me afastar das redes sociais, que consumiam grande parte do meu tempo e da minha energia. Afinal, se a proposta era entrar em contato comigo mesma, seria importante eliminar ao máximo as interferências negativas. E posso resumir o meu sentimento em uma palavra: libertação. Senti que estava me desprendendo de algo que me mantinha encarcerada e drenava as minhas energias. Agora, os dias parecem muito mais longos e eu tenho mais tempo para mim e para me dedicar às minhas atividades. Acreditem: perdemos mais tempo do que imaginamos conectados a redes sociais e a realidade “sempre perfeita” que os outros querem mostrar, e nos perdemos cada vez mais de nós mesmos.

Tive vontade, também, de fazer uma limpa no meu guarda-roupas, cômoda e estante. Joguei fora cosméticos fora da validade, embalagens vazias, papéis e inúmeras tralhas que deixei acumular sem nem perceber – isso porque me considero uma pessoa minimalista! – Doei muitas roupas que não usava mais, sem dó. Enfim, desapeguei de objetos materiais que não me faziam falta e estavam apenas estagnando energia, impedindo-a de circular livremente. E a partir daí o processo fluiu ainda melhor.

Ao final dessa semana, me sinto mais renovada, fortalecida e confiante. Confiante em mim, em uma força maior, no que está para chegar e no meu potencial, que é o que irá me impulsionar para ir atras dos meus objetivos. Estou ainda mais firme nos meus propósitos.

Cada instante é precioso demais para desperdiçarmos com coisas banais e sentimentos negativos e autodestrutivos.

Ao fim dessa experiência, gostaria de compartilhar com vocês algumas das conclusões a que cheguei e que foram muito importantes para mim, porque fizeram toda a diferença na minha forma de perceber a vida.

  • Atente-se sempre a você. Comece fazendo isso por alguns minutos e expanda para todo o seu dia.
  • Aceite os momentos difíceis sem se entregar. Aceite verdadeiramente que eles serão importantes para o seu amadurecimento.
  • Dê o primeiro passo. Mesmo que pareça pequeno, ele é o mais importante.
  • Evite a procrastinação.  Não deixe para amanhã o que você pode começar agora. Simplesmente comece.
  • Acredite em você e no seu potencial. Se você ainda não o vê claramente, dê esse tempo a você nesse fim de ano. Se presenteie com o que é permanente e imensamente rico de significado.
  • Siga a sua intuição e o seu coração. Eles sempre sabem o que é melhor para você.
  • Desperte a sua força. Mesmo que escondida, ela está aí, só esperando ser encontrada. Práticas espirituais como a yoga e a meditação ajudam a torná-la mais consciente.
  • Faça planos para o futuro, mas estabeleça metas para hoje. Não deixe para o mês, semana ou ano que vem. Toda hora é hora de (re)começar. Viva no presente e valorize cada instante da sua vida, porque ele é a única coisa que temos efetivamente.
  • Seja você mesmo, com seus defeitos e qualidades, porque você é único e essencial. Parece clichê, mas é muito verdadeiro. Imagine como as coisas funcionariam sem você e se perceba como parte essencial de um todo a sua volta.
  • Viva menos conectado ao virtual e conecte-se mais a você. Evite perder todo o seu tempo em redes sociais se comparando ao que os outros aparentam ser.
  • Tenha fé em você mesmo e em algo maior. Nada e nem mesmo sua vida são obras do acaso.
  • Aceite as mudanças. A vida é constante transformação. Aprenda a seguir o seu fluxo sem resistência, se mantendo sempre firme em seus princípios e objetivos.
  • Julgue menos os outros e a você mesmo. Busque compreender as pessoas em todas as situações e perceba o alívio que essa atitude traz.
  • Organize-se e desapegue dos excessos. Faça disso um hábito. Doe roupas que não usa mais, jogue fora as tralhas que você acumula e não servem para mais nada. Deixe a energia fluir melhor ao seu redor. Isso lhe trará imensa sensação de leveza.
  • Substitua os pensamentos negativos pelos positivos. Exercite a percepção de enxergar sempre o lado positivo de cada situação.
  • Ame-se como você é. Seja você mesmo. Liberte-se do que te prende ao desanimo e a frustração. Deixe aflorar a sua essência e viva com leveza cada instante da sua vida.

O grande dia chegou!

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O grande dia chegou! Então chegou a hora de revelar a surpresa! Foi tão divertido fazer suspense! E, cá estamos.

A surpresa é essa aqui mesmo: depois de mais um mês pensando, repensando, conversando e preparando tudo, nosso blog está no ar! Diante de todas as afinidades e crescimentos conjuntos, aqui estamos para compartilhar com quem mais quiser estar nessa jornada conosco. Ideias, experiências, sugestões de livros / filmes e tudo mais que puder tocar a alma e expandir os limites da mente.

Há algum tempo tivemos a ideia de criarmos juntas um espaço onde pudéssemos escrever e falar sobre questões relacionadas ao autoconhecimento, crescimento interior e tudo que envolve esse tema, já que temos ideais tão parecidos. E agora, finalmente, depois de amadurecer essas ideias, conseguimos colocar em prática esse projeto!

Fiquem à vontade na nossa casa! Espero que sintam-se acolhidos e que possamos seguir juntos nesse mundo do autoconhecimento.

Se programem: as nossas postagens serão todas as quintas às 20h.

Nos vemos a noite! 🙂