A importância da autoaceitação

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Quando entramos no processo de autoconhecimento, por vezes pode ser muito difícil aceitarmos nossas limitações. Entramos em contato com a pior parte de nós e nem sempre é fácil lidar com isso. Porém, antes de mudarmos qualquer coisa, precisamos tomar consciência de quem somos e nos aceitar. Tanto no presente, quanto aceitar quem fomos no passado. Assim como agora vivemos de acordo com as nossas possibilidades (em todos os sentidos), no passado também era assim.

Em alguns momentos já me vi arrependida por conta de atitudes passadas e me peguei pensando que se pudesse voltar no tempo teria feito diferente. Todavia existem dois problemas nisso: o primeiro é que obviamente isso não é possível (ao menos no momento atual); e o segundo é que não faz o menor sentido olhar com os olhos de hoje para algo que fiz no passado, simplesmente porque eu não era a mesma.

Isso me leva a pensar que é importantíssimo olharmos para nós mesmos com amor e nos aceitarmos. Seja nosso eu de ontem, seja nosso eu de agora. Antes de pensarmos no que energias externas podem nos causar, por exemplo, devemos levar em conta o que nós mesmos estamos fazendo conosco ao brigarmos com quem somos.

Quando nos culpamos por quem somos justamente pela falta de autoaceitação, acabamos potencializando o que queremos negar, porque a verdade é que tudo que negamos aumenta. É por isso que quando você não aceita algo em si acaba enxergando muito disso no outro. Precisamos lidar com nossas sombras e isso começa na autoaceitação.

Importante lembrarmos também que não estou falando aqui de preguiça de mudar, autoaceitar-se significa lembrar a si mesmo que por enquanto você não consegue ser exatamente como gostaria em todos os momentos, mas que você vai alimentar isso em si para que um dia esses momentos se tornem predominantes em sua vida.

A autoaceitação é uma parte importante do auto-amor. Significa você ter consciência das suas próprias limitações e aceitar que até aquele momento você não conseguia agir de outra forma. E isso é maravilhoso! Precisamos nos cuidar, nos tratar com carinho e com paciência. Mudar dói, crescer espiritual e emocionalmente é trabalhoso e não é da noite para o dia. Lembre-mo-nos disso!

Namastê!

🙂

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Simplicidade voluntária: minhas experiências

Por diversas vezes me peguei pensando no quanto gostaria de estar vivendo uma vida silenciosa no campo, morando em uma casa pequena e simples, rodeada pela natureza, pelos animais e cercada pelo silêncio.

Muitas vezes associei o conceito de simplicidade a uma vida assim. Mas com o tempo percebi que não é necessário que eu viva nessas condições para que encontre a paz e o equilíbrio interior. Com certeza há muitas pessoas que vivem dessa forma, mas que, interiormente, não levam uma vida simples e consciente, tomadas por estresse, preocupações e pesos desnecessários. O exterior, nesse caso, não auxilia em seu crescimento interior, e o ambiente que as cerca em nada ajuda a se manter em equilíbrio.

Moro no centro de uma cidade não tão grande, com uma média de 500 mil habitantes. É um ótimo lugar para se morar, já que temos algumas oportunidades e opções de lazer que não encontraria em uma cidade pequena.

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Juiz de Fora vista do Mirante do Morro do Cristo

Vira e mexe me pego pensando no quanto gostaria de ter um cantinho para entrar em contato com a natureza, fazer Yoga, meditar, ler… e esses dias percebi que, na verdade, sou muito privilegiada. E tive essa percepção apenas com uma mudança de ponto de vista.

Moro no centro da cidade e sempre vi isso como um problema, apesar de considerar a minha rua uma das mais tranquilas. O movimento de carros e pessoas é contínuo durante a semana, mas do meu quarto consigo ouvir os passarinhos cantarem ao longo de todo o dia na minha janela. Inclusive acordo com o seu canto todos os dias, e enquanto escrevo esse texto eles fazem uma sinfonia por aqui.

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Eu só preciso escolher para onde voltar o meu foco: para o seu canto que me tranquiliza ou para os carros e movimento das pessoas na rua que me trazem agitação e ansiedade.

Além disso, por morar no centro, tenho várias possibilidades a minha disposição. Estando próxima a vários pontos de ônibus, posso me locomover para qualquer lugar. Isso me proporciona com muita facilidade ir a parques e lugares cercados pela natureza.

É disso que se trata a simplicidade voluntária. Não é necessário que vivamos no campo ou em meio à natureza para que nos sintamos plenos e tranquilos; é possível encontrar formas de ser simples e viver uma vida mais tranquila em meio ao “caos” urbano. O que importa é o quanto você encontra interiormente essa simplicidade e permite que ela transforme a sua vida.

Viver de forma simples e consciente é uma escolha que independe dos fatores exteriores a você. E por muitas vezes nos prendemos a esses conceitos, o que nos desestimula a viver a simplicidade.

Podemos aproveitar pequenas coisas. Em vez de reclamar pelo que não é possível ter neste momento, passemos a apreciar o que está a nossa disposição. Pela janela podemos ver o céu azul, ouvir o canto dos passarinhos e, mesmo que por uma pequena fresta, podemos sentir o sol enquanto respiramos, meditamos ou fazemos uma leitura. Muitas vezes não damos valor aos patrimônios públicos, mas os parques estão a nossa disposição para um passeio ou uma caminhada antes ou depois do expediente de trabalho e/ou durante o final de semana.

Não crie empecilhos. Se precisa de ônibus para se locomover até lá, vá ouvindo uma música que você goste. Ao chegar, leia um livro, respire o ar puro, observe atentamente as inúmeras pequenas belezas ao seu redor, caminhe meditativamente entre as árvores e se permita ser preenchido pela energia revigorante da natureza.

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Parque da Lajinha / Juiz de Fora

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Museu Mariano Procópio / Juiz de Fora

Ou aprecie o por do sol em um mirante ou em um ponto alto da cidade…

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Vista do ICH na Universidade Federal de Juiz de Fora

Observe a perfeição do que nos cerca e seja grato por ser parte disso.

Essas últimas fotos foram só alguns exemplos do que vivenciei nessa ultima semana; do que me permiti perceber e apreciar. Mas você pode também descobrir esses recursos, aonde quer que esteja.

Esteja atento e aproveite tudo o que tem à disposição e que, por muitas vezes, passa despercebido. Não se prenda a padrões relacionados ao estilo de vida que você deseja viver. Apenas viva, e você irá perceber que os recursos estão disponíveis a sua volta. Só depende de você percebê-los.

Sobre a morte e outras despedidas

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Quando pensamos em desapego, isso não está relacionado apenas a coisas e situações, mas também a pessoas… E essa pode ser a parte mais difícil de conseguir alcançar.

Acredito que devemos nos entregar de corpo e alma às relações (todas elas) e o desapego não significa não se importar, mas saber quando é hora de deixar a pessoa partir, seja por uma decisão dela ou porque o Universo quis que ela se juntasse a ele mais profundamente através da morte.

É muito triste ver como algumas pessoas se apegam tanto a ponto de forçar a permanência do outro em suas vidas. Quando alguém está muito doente, por exemplo, e o que mais se pede é que aquela pessoa não morra, a energia se torna tão pesada e densa, que parece até forçar o outro a ficar algumas vezes. Não sei até que ponto isso é possível, mas com certeza um apego desses torna o processo de luto muito mais difícil.

É tão triste ver quem amamos doente, sofrendo… Mas muitas pessoas parecem achar que a morte é mais triste. Eu sinceramente acho isso um tanto egoísta, porque você quer tanto aquela pessoa em sua vida que não importa nem o preço que ela vai pagar pra permanecer.

Enfim, não escrevo isso com a intenção de julgar ninguém nem de dizer como devem se portar diante de situações tão difíceis, mas para fazer pensar. A morte faz parte da vida e precisamos aprender a deixar aqueles que amamos irem, mesmo que isso signifique nosso sofrimento. Afinal, eles sempre ficam dentro de nós, independente de onde estejam.

Namastê!

🙂

A gente nunca chega a conhecer uma pessoa

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É isso mesmo: não conhecemos ninguém. E isso acontece, penso eu, por dois motivos principais.

Em primeiro lugar, estamos sempre (ou quase sempre) julgando as pessoas, seja positiva ou negativamente. Achamos que as conhecemos pelo que dizem ou fazem, acreditamos que seus comportamentos serão sempre os mesmos e que porque convivemos por X anos, já sabemos tudo que há para saber sobre o outro sem nos permitirmos nos surpreender.

Em segundo lugar, raramente nos damos conta (de verdade) que o ser humano está em constante construção e reconstrução de si mesmo. Estamos sempre mudando! Por vezes nos damos conta disso em nós mesmos, mas poucos são aqueles que dão o “direito” ao outro de mudar também.

Além disso, outro fator que agrava ainda mais nossa (falsa) percepção em relação ao outro é que por mais que se fale por aí em autoconhecimento, e que isso esteja até “na moda”, pouquíssimos são os corajosos que se permitem essa viagem… Que se permitem mergulhar dentro de si mesmos e começarem a separar o que é seu e o que é do outro.

Digo isso justamente por conta das projeções que estamos sempre fazendo. Não nos permitimos enxergar o outro porque apenas vemos nele aquilo que existe em nós. Por isso é tão relevante e urgente esse tal autoconhecimento: precisamos dele pra não projetarmos no outro tudo de ruim e difícil que há em nós.

Por isso é importante refletirmos sempre e não nos esquecermos que assim como nós, o outro também está em constante modificação de si mesmo. É preciso sempre respeitar o mundo do outro e é ótimo estarmos abertos a nos surpreender.

Namastê!

🙂